10 de Letra

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10letra_5Com João Manuel Ribeiro e convidados

No passado sábado, dia 28 de outubro, celebraram-se os 10 anos de letra de João Manuel Ribeiro, com nomes sonantes: Sérgio Almeida, João Fernando Ramos e Bruno Vieira Amaral, com cartas dadas nos livros e na comunicação. “Para que serve a literatura?” foi o mote, que culminou com o lançamento da revista infanto-juvenil “A Casa do João”. A VIVA! marcou presença e captou os momentos chave.

São 10 anos de letra, de “rimas para meninos e meninas”. O objetivo de João Manuel Ribeiro passa por promover a leitura em escolas e colégios. Porque “publicar um livro não basta”.
Esta iniciativa, que decorreu sob o mote “celebração”, teve importantes questões para reflexão e convidados a rigor: Bruno Vieira Amaral, Sérgio Almeida e João Fernando Ramos.

Para que serve a literatura?
“Parece uma pergunta retórica, mas não é”, garantiu João Manuel Ribeiro. Bruno Vieira Amaral teceu alguns comentários a este respeito. “A pergunta começa pelo lado errado”, começa por explicar. Isto porque “a literatura não é um utensílio, não existe uma função à partida”.
Mas a literatura tem servido para algo. Na ótica do também crítico literário, é “contar histórias”. “Através das histórias criamos laços de pertença, crenças, valores de uma comunidade”.
Basicamente ler “é ver o mundo através dos olhos do outro” e isso “enriquece-nos”. É como “viver sem ter vivido”.
10letra_3Há uma objeção, contudo: a de que “todas as histórias já foram contadas”. No entanto, “cada época tem de pegar nesse esqueleto e dar espírito”. O mesmo facto não tem o mesmo peso em sociedades diferentes.
Outro fator importante é que a literatura também serve para nos juntarmos ainda que possa “doer”. É que a literatura traduz-se também num “chão comum de experiências” e serve também para nos “desafiar”. Ou ela [literatura] é “imprescindível ou é substituível”, remata Bruno Vieira Amaral.
Para Sérgio Almeida, a literatura tem toda uma humanidade, mencionando inclusive o termo ‘biblioterapia’. A “cura pelos livros”, essencialmente.

A literatura no espaço público
Discutiu-se ainda o “definhamento” do espaço dedicado à literatura.
“Como jornalista que gosta de livros tento combater essa questão”, diz Sérgio Almeida. O digital, prossegue, veio permitir “estancar essa perda de protagonismo no papel, pois apresenta muitas potencialidades”, refere.
“Para mim, a leitura não é propriamente um gosto, é uma necessidade”, remata.
Para João Fernando Ramos, jornalisticamente, na explicação de um tema é benéfico “trazer os escritores a estúdio para perceber melhor a respetiva história”. “Pegar em algo da atualidade e transformar com valor acrescentado”, refere. É importante, reforça, “tirar a cultura do fim do jornal”.

Literatura na escola
Para Bruno Vieira Amaral, a escola tem uma missão muito importante: a de não ‘matar’ o gosto pela literatura. “O livro é um organismo vivo, não é para ser dissecado”, apela. E continua: “Não é com esse ‘vinagre’ diário que se apanha jovens para a leitura”, reforça.
As emoções de leitura, continua, “não se sentem na sala de aula”. “Dissecar é matar os livros, que são organismos vivos”, conclui. É importante criar “ambiente para a fruição da literatura”, sugere.
Mas, “há formas idiotas de se ler”, reconhece Bruno Vieira Amaral, ressalvando que a literatura é, acima de tudo, “um contrato aberto com a liberdade”.

10letra_joao_ribeiroJoão Manuel Ribeiro
Já se passaram 10 anos desde que João Manuel Ribeiro nos brindou com o “Rondel Rimas para Meninos e Meninas”, o primeiro livro de poemas. São cerca de 50 obras do autor destinadas preferencialmente ao público infantil e juvenil. Com mais de 10 obras recomendadas pelo PNL - Plano Nacional de Leitura.
“Na síntese entre escrita e encontro com os pequenos leitores (e não só) tenho travado o combate, nunca vencido, de disseminar a poesia na escola e no imaginário dos alunos e seus professores. A poesia foi, e continuará a ser, uma causa de vida. Parece-me, portanto, que quer quantitativa quer qualitativamente, o balanço de 10 anos de atividade literária é positivo e fecundo. Mas a avaliação mais importante é a que farão os leitores e os mediadores”, revela João Manuel Ribeiro à VIVA!.
O autor gosta do contacto 'olhos nos olhos' com os leitores. “O encontro é, para mim, uma experiência muito gratificante, desde logo porque me possibilita uma gozosa relação literária entre escritor e leitor. Nestes encontros, consigo perceber o que entusiasmou o leitor, o que o incomodou, em que medida o leitor interagiu com o livro, entre outras coisas. Não teria sentido escrever ou, pelo menos, não teria o mesmo sentido se não houver leitores. Como alguém disse, o mais difícil não é escrever, é conquistar leitores. Acho, sinceramente, que muitos dos meus livros ‘fazem-se’ nos encontros em escolas”, revela-nos João Manuel Ribeiro.
“Devo ainda salientar que merecer o reconhecimento dos leitores, dos mediadores, do PNL e da crítica é sempre gratificante e encorajador para continuar a escrever e a promover a literatura junto dos mais novos, quer através de novos livros e encontros, quer através de outras iniciativas e projetos como, por exemplo, ‘A Casa do João – Revista de Literatura Infantil e Juvenil’, recentemente lançada, e o ‘10 de Letra’”.
Mas de onde vem tamanha paixão pela escrita? “Na minha vida, a escrita encontra as suas raízes na minha infância e, concretamente, na relação com o meu avô que, tendo uma educação rudimentar, tinha uma sabedoria ou filosofia de vida que faz dele um poeta (ou filósofo) que nunca escreveu um verso”, conclui João Manuel Ribeiro.

10letra_6Novidades
“O Senhor Péssimo é o Máximo” de João Manuel Ribeiro, obra recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, acaba de ser editada em Espanha, pela Hércules de Ediciones.
“Tenho uma forte ligação profissional e pessoal com a Galiza e não poderia estar mais satisfeito por saber que mais um trabalho meu está agora acessível a todos quantos me queiram ler”, revela João Manuel Ribeiro.
“O que devia ser apenas uma semana de férias numa das praias da Galiza acabou por se tornar a aventura de uma família, ‘caçada’ por uma maré negra e, pouco a pouco, transformada por um pai, de nome Péssimo, que compreendeu e ajudou a descobrir a importância das opções e atitudes de cada um para a sustentabilidade do planeta e para uma vida mais saudável”, pode ler-se na sinopse do livro que atraiu as atenções de uma das mais reputadas editoras do país vizinho, com sede na Corunha.
Recorde-se que o autor tem já quatro livros publicados na Colômbia (“Rondel de Rimas para Meninos e Meninas”; “Poemas para Brincalhar”; “Verso a Verso  Antologia Poética”; “Versos de não sei quê  Antologia Poética”) e, em 2018, o livro “Meu avô, rei de coisa pouca” vai ser editado em Itália e na Eslovénia, pela Tuga Edizioni e Zalozba Malinc, respetivamente. Ambas as editoras adquiriram os direitos de uma das obras mais marcantes do autor.
Nascido em 1968, João Manuel Ribeiro começou a incursão pela escrita em 2008 com o “Rondel de Rimas para Meninos e Meninas” e 10 anos passados sobre o primeiro livro de poemas, nas entrelinhas já chegaram ao mercado mais de 50 obras. Ainda em novembro será publicado um livro/cd (com música e interpretação de João Pereira e Nuno Brito), com direito a concertos. Mas a celebração da escrita ainda ficará marcada pelo lançamento de book trailers; encontros com o escritor e um ciclo de tertúlias de que o autor será curador, e a realização de jornadas literárias. As primeiras aconteceram a 28 de outubro na Fundação Eng.º António de Almeida no Porto e as próximas serão em Lisboa, em abril de 2018.

10letra__casa_do_joaoA revista “A Casa do João”
Chama-se “A Casa do João” e é uma revista de literatura infantil e juvenil, grátis e disponível em versão online e em papel. No passado sábado, dia 28 de outubro, foi carimbado o seu lançamento na Fundação Eng. António de Almeida. A revista é editada pela Tropelias & Companhia, em parceria com o Centro Cultural de Amarante e o Centro Unesco de Amarante, e vai apresentar uma periodicidade trimestral, de informação geral, especializada, informativa e didática.
João Manuel Ribeiro, poeta e escritor, celebra 10 anos de carreira literária e é o diretor desta revista que espera chegar “de uma forma comprometida, mas alegre e despojada, ao coração e à inteligência de muitos educadores, professores, pais e, sobretudo, crianças".
“A ideia de uma revista de literatura para a infância e juventude acompanha-me há largos anos. Há meia dúzia de anos, a ideia esteve perto de materializar-se, mas algumas dificuldades de última hora adiaram o projeto”, revela o autor.
E continua: “A versão atual de ‘A Casa do João’ inspira-se na revista ‘Página Escrita’, revista literária online das Fundaciones Jordi Sierra i Fabra, em Barcelona e Medellín (Colômbia). Ter conhecido pessoalmente este escritor catalão e a sua revista foi uma forte inspiração e motivação para a configuração dos conteúdos e até para o formato (em papel e online, formato A4 e gratuita). Na concretização do projeto foi ainda relevante a parceria com o Centro Unesco do Centro Cultural de Amarante”.
Francisco Laranjeira, coordenador do Centro Unesco de Amarante, explica que esta publicação é “apenas uma pequena parte do trabalho que o Centro Unesco de Amarante, criado a 9 de agosto de 2017, está a implementar”.
“Defendo que a literatura tem um valor intrínseco, isto é, vale por si mesma, independentemente da sua utilidade, lúdica ou pedagógica. Mas, ao optar por uma periodicidade trimestral, pensei, obviamente, na escola e na mais-valia que a revista pode constituir para a educação literária de alunos e docentes. Nesta medida, espero que ‘A Casa do João – Revista de Literatura Infantil e Juvenil’ cumpra a missão de tornar a literatura acessível a todos, miúdos e graúdos”, remata João Carlos Ribeiro.
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