“Tempo para Escutar”

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escuta_ativa_2Um gabinete para escutar

O gabinete “Tempo para Escutar” é um sonho de Margarida Dias tornado realidade, isto após alguns anos de amadurecimento da ideia. Situa-se na Rua Brito Capelo, nº 307, 2º andar, sala 205, em Matosinhos. O gabinete funciona desde 31 de janeiro deste ano. Cada sessão tem uma duração entre 50 a 60 minutos. Este tempo pode ser ultrapassado em situações devidamente avaliadas por quem escuta.

“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”
Goethe

“Este projeto nasceu há alguns anos. Mas foi sendo amadurecido. Teve especial incidência durante o meu percurso académico. Comecei a tirar Psicologia aos 42 anos e ia-me apercebendo das dificuldades que as pessoas iam sentindo e, acima de tudo, a necessidade de serem escutadas”, começa por explicar a grande mentora deste gabinete, Margarida Dias.
escuta_ativa_1“Acho que cada vez mais temos muito pouco tempo para nos ouvirmos uns aos outros. E não são poucas as vezes que nos transportes públicos, supermercados, na rua, qualquer mote serve para iniciar uma conversa que inicialmente não tem assunto absolutamente nenhum e, passado pouco tempo, acaba por se conhecer a história de vida da pessoa em questão”.
“Por isso, na minha opinião, acho que é extremamente importante cultivar a necessidade de nos ouvirmos uns aos outros. E o gabinete surgiu nesse sentido”, assegura.
Os casos que vai recebendo, explica Margarida à VIVA!, são diversos: “isolamento, solidão, perda de entes queridos”.
“O meu trabalho é essencialmente ouvir. Escuta ativa, mais propriamente. Não tem fins terapêuticos, nem de intervenção”.
O gabinete de Margarida Dias tem como principais objetivos o “respeito pela dignidade humana, privacidade e confidencialidade”.
“Encaro esta atividade como algo que me dá muito prazer fazer. Acho que sou uma privilegiada. É que gosto mesmo muito de ouvir as pessoas”.
O feedback é “positivo”, pois está ali alguém que nos escuta sem qualquer tipo de preconceito. “Ouvir pura e simplesmente”, sustenta.
escuta_ativa“Muitas vezes, o estigma associado aos técnicos de saúde influencia negativamente o recurso a eles, sendo que comummente, as pessoas não querem ser rotuladas como ‘loucas’. Mas falar sobre as nossas preocupações, não é nem nunca será sinónimo de loucura, é uma necessidade e, portanto, sinónimo de sanidade”.
“As pessoas ficam melhores, e eu também”, acrescenta. “Porque aprendemos sempre muito. É sempre complicado alguém expor as suas fragilidades. Está a confiar muito em nós”, assegura.
“Este gabinete é um ponto de partida para que se comece a disseminar o hábito de escutar. Assim, fico feliz se conseguir o meu principal objetivo que é: fazer chegar a minha escuta a quem dela precise”, apela.
Em termos futuros, Margarida Dias pensa em divulgar o gabinete “ao nível das escolas”.”E já me surgiu a ideia a nível de paróquias porque acho que seria muito importante”, remata.
O gabinete é de entrada gratuita, e a pessoa responsável pode ser contactada pelo 963687283. Mas cada um, se assim o entender, pode contribuir com o valor que achar justo para ajudar na sobrevivência do projeto.
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