“Voando” com a Quinta do Bill

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quinta_bill_3Aterragem na Casa da Música, em novembro

Quantos não terão cantado em uníssono temas como “Se te amo”, “Voa”, ou “Filhos da Nação”? É verdade, a banda que une gerações celebra este ano 30 anos de carreira. No dia 25 de novembro assinalamos a efeméride na Casa da Música. Mas antes, dois dedos de conversa com Carlos Moisés, vocalista desta icónica banda, com raízes em Tomar.

Por onde tem passado, a banda folk/rock mais conhecida da música portuguesa tem oferecido ao público espetáculos memoráveis. Tanto que em 2013 deram um concerto para 100 mil pessoas na Avenida dos Aliados. “Tivemos esse privilégio de tocar na passagem de ano. E foi muito gratificante”, explica Carlos Moisés à VIVA!. “Foi memorável, nunca nos vamos esquecer”, atesta. Recorde-se que o grupo entrou em 2014 com a digressão “Siga a festa”.
A banda, refira-se, é inspirada em paisagens africanas, ensaios de garagem, motivada pelo jazz na Associação Canto Firme e pelo Bill que lhes recebeu na quinta e lhes emprestou o nome.
A conquista dos tops na década de 90 deu-se quando o habitual era cantar em inglês. A língua portuguesa ficava, assim, reservada a palavras como saudade e fado.

quinta_bill_1As origens
A Quinta do Bill nasceu em 1987, pela mão de Carlos Moisés e Paulo Bizarro.
“Tinha feito uma série de canções e convidei os meus amigos para trabalhar nelas. Daí nasce naturalmente o objetivo de formar um grupo. Fazer as canções e depois mostrá-las às pessoas. Tocar e usufruir da paixão enorme pela música”.
No entanto, o tempo ditou os posteriores desenvolvimentos. “Começa-se a pensar que para chegar melhor às pessoas é preciso um disco. Na altura, havia os concursos de música moderna, mais concretamente o Rock Rendez Vous que era uma sala emblemática”, conta.
“Participamos no concurso do Rock Rendez Vous e começamos a ter alguma exposição. Posteriormente vencemos o concurso Aqui d`el Rock da RTP1”, revela Carlos Moisés.
O nosso primeiro disco, “Sem Rumo”, em 1992, vem na sequência dessa vitória. Álbum que “abriu de certa forma alguma oportunidade para tocarmos e chegar às pessoas. Foi um relativo sucesso”, recorda.
A afirmação, contudo, vem com o projeto “Os Filhos da Nação”, com um grande sucesso em 1994. “Esse sim. Teve um impacto muito grande. Este disco acaba por ser o responsável do desenrolar da carreira dos Quinta do Bill, que até hoje não parou”.
“Trilho do Sol”, em 1996, bate novamente o recorde de vendas a bordo de temas hoje bem queridos como “Se te amo” ou “No Trilho do Sol”.
Seguem-se “Dias da Cumplicidade”, com destaque para o potente tema “Voa”, “Nómadas” (2001), “A Hora das Colmeias” (2006) e “7” (2011).

quinta_bill_4O álbum “Todas as Estações” (2016)

As canções naquele álbum revelam muitas influências, muitos gostos musicais. De facto, todos os membros do grupo têm gostos musicais específicos. Esta diversidade acaba por sentir-se no mundo da Quinta do Bill.
“É, de facto, um cocktail muito grande de influências. Nós sempre confessamos que os nossos gostos não se cingiam a determinada área musical. Até porque eu vinha de uma formação de música clássica, fiz conservatório. Paralelamente, o jazz através do Paulo Bizarro. Refira-se que nos conhecemos precisamente pela escola de música. E música tradicional. Todas essas sonoridades acabaram por ser responsáveis pelo nosso som”, revela.
De destacar também o papel de escritores como José Luís Peixoto, Pedro Malaquias e Sebastião Antunes. “No início e durante muito tempo trabalhamos com o João Portela que deixou, entretanto, de ter disponibilidade total. E acabamos por ter uma parceria com outras pessoas com quem nos identificamos”, frisa.  
Combinar o ecletismo e atribuir-lhe um fio condutor, refira-se, não é fácil. “O papel do produtor foi importante. De certa forma que acaba por filtrar as diferenças musicais para tornar o objeto musical minimamente coerente. Não é que isso seja obrigatório. Mas o resultado final acaba por ter uma certa uniformidade que está patente na audição do disco”.
O tema “Faz bem falar de amor” foi recentemente premiado com o galardão Ari(t)mar de “Melhor Música Portuguesa de 2016” pela Escola Oficial de Idiomas de Santiago de Compostela.
O videoclipe com o filme de animação criado por Jorge Ribeiro também se tem destacado na área do cinema e das curtas-metragens.  

quinta_billAs celebrações
Intitulado “30 anos de Canções e Afetos”, o espetáculo que a Quinta do Bill prepara será uma oportunidade única para revisitar o percurso do grupo. “São três décadas de muitas viagens, de aventuras, de peripécias, de encontros com diferentes culturas transportados para canções que sempre fizeram questão de ousar misturar a inquietude das palavras com as emoções do seu tempo”, assim resume a banda o que a moveu ao longo do seu notável percurso.
A grande festa está marcada para o final de novembro, mas a banda tem vindo a celebrar estas três décadas de carreira desde o início do ano com atuações ao vivo um pouco por todo o país. E por onde tem passado, tem oferecido ao público espetáculos inesquecíveis. Um dos momentos altos da tour dos 30 anos aconteceu em julho, em Tomar, cidade-berço do grupo, onde milhares de fãs e amigos fizeram questão de encher por completo a Praça da República.
“Vai ser o fechar de um ciclo. Esta tourné dos 30 anos começou em abril/maio. Percorremos o país e ilhas com o objetivo de celebrar a história da banda. Um concerto transversal à discografia do grupo onde se evidenciará certamente a ‘comunhão entre banda e público’”.
E são muitos os temas que a banda criou que fazem parte da nossa memória coletiva. Canções divididas entre a magia da folk e a garra do rock que atravessaram gerações. “Mas não é simplesmente evocar o passado que suscita este espetáculo. Mais do que isso, urge encarar o presente para projetar uma visão de futuro. É isso que nos motiva subir ao palco: transmitir o nosso olhar sobre o mundo, mas celebrando a vida”, explica a Quinta do Bill. É por isso que “Faz bem falar de amor” ou “Rir”, como cantam no seu mais recente álbum, “Todas as Estações” (2016).
Não faltarão “os chamados clássicos. São canções que começam a ser intemporais e que atravessam gerações. É bom sentir, mesmo os mais jovens, abraçarem esses temas. Já são antigos (risos)”.
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