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“No Entulho”

entulho2Aqui tudo se transforma!

O projeto “No Entulho” traduz-se em residências artísticas com a duração de aproximadamente dois meses, num total de cinco residências por ano. A VIVA! foi conhecer melhor este projeto no qual intervenção é a palavra de ordem.

As residências artísticas “No Entulho” visam a pesquisa, a produção artística e partilha do respetivo trabalho desenvolvido nas instalações da Otiima Artworks, num ambiente rural-industrial, longe dos centros artísticos. Inserido no espaço de produção dos sistemas Otiima, unidade industrial na Póvoa do Varzim, associado a diferentes setores fabris, este programa de residências irá proporcionar aos artistas condições únicas de atelier.

Ferro, aço, vidro ou alumínio são algumas das matérias-primas disponíveis e às quais se juntam espaços e meios.

De mencionar que no final de cada residência, realiza-se uma mostra do trabalho desenvolvido pelos artistas nas instalações da Otiima.

No final do primeiro ano de projeto “No Entulho” está prevista a exposição final com todas as obras elaboradas durante diversas residências.

entulho4Como funciona?

Os artistas residentes são chamados a intervir, criar ou modificar materiais que estão inutilizáveis nesse espaço – o chamado entulho. Estarão disponíveis ferro, aço, vidro ou alumínio, matérias-primas às quais se juntam espaços e meios vocacionados para a produção, seja em pequena, média ou grande escala. Parte-se assim de uma política de reutilização para então transformar matéria destinada à sua acumulação sem finalidade em matéria de valor. O programa contempla que sejam produzidas obras originais, que resultem da experiência no espaço de residência, ou obras que partam de um projeto artístico já em curso.

Nas áreas artísticas contempladas privilegiam-se a instalação e a escultura, havendo abertura para propostas específicas em outras áreas. Pretende-se com este programa de residências abrir novas possibilidades a jovens artistas para que, enquadrados num meio industrial e acompanhados por uma equipa especializada em produções de obras de arte, possam elaborar projetos de diferentes escalas, com os meios necessários e indispensáveis para a sua realização.

A acompanhar e apoiar estas residências estarão serralheiros, eletricistas, pessoal técnico especializado em vidro e caixilharias, arquitetos, engenheiros e curadores que irão apoiar os vários artistas desde a fase de conceção, passando pela fase de execução/produção e terminando na fase de exposição e publicação do material criado a partir da residência.

entulho1“Geralmente os artistas mais jovens têm mais dificuldades em viver exclusivamente deste meio - em ter poder de produção de obras de maior escala ou com materiais mais dispendiosos ou mesmo em ter espaços de ateliê amplos e dotados de maquinarias e ferramentas especializadas para manipulação de materiais – e daí surgir a ideia de realizar uma residência artística que criasse oportunidades a estes artistas, mas também à Artworks para podermos trabalhar com eles”, começa por nos explicar Ana Brito, coordenadora artística.

Há nesta ação um caráter de responsabilidade social: “a premissa de utilização de matérias e de recursos da empresa é uma das maiores valências deste projeto, porque deste modo promovemos a reciclagem de uma forma menos ortodoxa do que pelos processos normativos. E por último, porque esta iniciativa poderá ter repercussões e incentivar outras empresas a promover projetos semelhantes, o que nos deixaria extremamente satisfeitos”, revela.

A seleção dos artistas para as residências e balanços

Para este “No Entulho #01”, foi através de convite. “Como foi a primeira vez que abrimos a casa a este tipo de iniciativas quisemos estar em controlo desse tipo de decisões, mas também porque pensamos que seria melhor fazer a programação de um ano para estudar uma série de coisas que seriam novas para nós: o funcionamento da Otiima Artworks com artistas a residir a tempo inteiro cá; perceber que desafios isso traria para nós enquanto equipa criativa; incentivar artistas a participar em futuras edições ‘No Entulho’ e outros projetos que possam surgir adiante”.

Ana Brito reforça ainda que “os períodos de residência têm sido vividos com grande intensidade, muita produtividade e o resultado (nas mostras que realizamos) tem sido reflexo disso e compensatório de toda a dedicação da equipa e dos artistas. As residências estão a desafiar-nos nos papéis que desempenhamos e muitas das vezes tiram-nos da nossa zona de conforto”.

E, acrescenta a coordenadora artística: ”queremos agora desenvolver mais trabalhos de curadoria, de desenho de exposição, de programação cultural e gostaríamos de nos envolver não apenas com arquitectos ou artistas plásticos mas também artistas de cinema, literatura, teatro, entre outros. Acreditamos que destes cruzamentos disciplinares podem advir projetos muito ricos”.

Entretanto, podemos adiantar que o “No Entulho” irá ter uma segunda edição em 2019 que, desta vez, se realizará por open call.

entulho9_tiagoOs artistas

Tiago Madaleno

“Quando me encontrei pela primeira vez com os coordenadores desta iniciativa para uma conversa, eles propuseram-me duas hipóteses de trabalho: eu poderia desenvolver trabalho apenas com as coisas que encontrasse na Otiima, ou poderia trazer um projeto que já estivesse a trabalhar e aproveitar a residência para o desenvolver melhor, testar hipóteses, aprimorá-lo. Eu optei pela segunda hipótese. Mais do que trabalhar com os materiais residuais da empresa, o seu ‘entulho’, eu estava interessado nos conhecimentos e experiência que os arquitetos, engenheiros e trabalhadores especializados em trabalhos de serralharia poderiam trazer para o meu projeto. Com a sua ajuda eu poderia ultrapassar uma série de dificuldades que advinham da minha falta de conhecimento técnico nessas áreas: por exemplo, pensar na gestão de pesos e equilíbrios da estrutura de um coreto; como informatizar a sua estrutura de maneira a poder ser produzida; ou mesmo como construí-la à escala real. Neste sentido, o meu trabalho nesta residência não se debateu tanto com o problema de criar a partir daqueles materiais, mas sim com o pensar aquele enquadramento fabril e técnico como uma ferramenta para potenciar o desenvolvimento de um projecto”, revela à VIVA! Tiago Madaleno.

O artista revela ainda que os seus planos de futuro “passam por continuar o desenvolvimento deste projeto: primeiro tentar perceber como posso construí-lo na sua totalidade e depois numa fase posterior, como posso iniciar uma sucessão de eventos públicos que o utilizem como elemento central. A ideia passa por aproveitar as festas populares por todo o país para realizar uma ‘Volta a Portugal em Coreto’. Usufruir da mobilidade da estrutura do coreto para o levar a passear pelo país e criar um evento onde se convida todas as pessoas que quiserem realizar uma performance a invadirem o seu interior. A conseguir realizar este empreendimento acho que me poderão encontrar por aí, por todo o país.”

entulho6_rafaRafael Yaluff

Esta experiência trouxe a Rafael “a possibilidade de trabalhar com o apoio de uma equipa conceptual e técnica de alto nível durante dois meses, que me permitiu arriscar a delegar e partilhar tarefas, ampliando as minhas capacidades e permitindo focar nas questões fundamentais do trabalho. Acho que durante a residência aprendi uma forma diferente de trabalhar em equipa”.

Por outro lado, Rafael garante que teve “a sorte de integrar o programa de residências artísticas da Air 351, parceiros do ‘No Entulho’ e estarei a trabalhar ali até agosto deste ano, num novo projeto sobre a força de gravidade como o centro de uma obra de arte que suga diferentes elementos para completar-se”.

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