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Jorge Fiel é a personalidade que lança mais um
tema de discussão neste espaço de debate. Se concorda, discorda ou quer opinar
sobre o assunto escreva-nos ou, preferencialmente, vá a www.viva-porto.pt
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Tantas vezes quantas quiser!
A maldição da
Praça de Lisboa
Não guardo boas recordações da Praça de Lisboa.
Em 1973, fui preso ao passar por lá, em frente à Lello, que um
cronista avisado do El Pais proclamou como a mais bonita livraria do mundo.
Quem me denunciou foi o casaco vermelho aos quadrados, à pescador de
Matosinhos, que era a farda dos estudantes de extrema esquerda durante o ocaso
da Primavera marcelista.
A ordem de prisão foi dada pelo capitão Braga, que estacionara
os “níveas” (alcunha das carrinhas da polícia de choque) e ultimava o
dispositivo para a invasão do átrio da Reitoria, átrio onde decorria um comício
contra um festival de coros com participação sul-africana.
A culpa foi confirmada pelas pedras que atulhavam os meus bolsos
e se destinavam a apedrejar fachadas de bancos, uma acção muito em voga à época
e que me pareceu mais excitante que o tépido ambiente do comício, que só
aqueceu com a chegada do capitão Braga.
Um árido parque de estacionamento à superfície é a mais antiga
recordação que eu tenho da Praça de Lisboa. Depois houve uma tentativa de Belmiro de Azevedo de
lhe dar vida, instalando lá um centro comercial. Não deixa de ser curioso que a
Sonae, que da Grécia ao Brasil, passando por Alemanha e Itália, promove e gere
shoppings florescentes, tenha falhado apenas no coração da cidade que a viu nascer
e crescer.
Sei de um projecto, que está enguiçado, de recuperação desta
praça que é uma ferida a largar pus mesmo ali ao lado das vibrantes Galerias de
Paris. Ninguém me tira que se trata de uma maldição que só pode ter a ver com o
nome. Da próxima vez que encontrar o Germano Silva vou sugerir-lhe que
apresente na Comissão de Toponímia uma proposta de mudança de nome.
Jorge Fiel
Jorge Fiel cresceu e vive no Porto, onde nasceu, em Maio de
1956. Portista e regionalista. Licenciado em História. Jornalista há 31 anos. A Viva é o mais recente título
onde tem textos publicados, uma lista onde convivem vivos e mortos, como o Norte Desportivo, O
Comércio do Porto, Gazeta dos Desportos, Jornal do Comércio, Tripeiro, Crime, Expresso, Ideias &
Negócios, Diabo, Briefing, Diário de Notícias, Advocatus e O Jogo.
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