Senhor Ninguém | E.LE.MEN.TO, 23 fev, Teatro Municipal Campo Alegre

teatro_camp_alegre6Senhor Ninguém

23 fevereiro, 16h, Teatro Municipal Campo Alegre

No início, um jornal. Que as crianças folheiam, onde identificam notícias, umas reais, outras nem por isso, e a partir do qual fazem uma escolha: que história escutar primeiro?

A primeira grande decisão do leitor. Um homem, intrépido viajante e repórter vivo de todas as narrativas do jornal, acolhe a escolha coletiva do grupo e dá corpo à crónica do momento. Confessa: “Detesto falar de mim porque nunca quis ser um personagem, mas, que diabo, suponho que um escritor tem de enfrentar a sua própria vida”. E assim se vão sucedendo as escolhas e as narrações, até sobrar o silêncio – espaço para onde nos recolhemos para pensar e escutar a nossa própria história.

As notícias, essas, não são sobre a atualidade jornalística. Caberiam noutro tipo de jornal, menos imediatista, mais ligado à vida das pessoas. São histórias intemporais, recolhidas e adaptadas das Rosas de Atacama, de Luís Sepúlveda. Nelas fala-se sobre homens, mulheres — e até um cão! — que se recusam a ceder, que resistem inconformados, que fazem pequenas revoluções anónimas. Piratas, bandoleiros, carregadores de mármore e outros mais mundanos são os protagonistas — todos unidos pela ética e pela fé inquebrável na raça humana. Não é para isto que os jornais servem? Perguntamos. Para mostrar porque é que a vida merece ser vivida?

Direção e dramaturgia Gustavo Vicente | criação Ainhoa Vidal, Gustavo Vicente, Inês Rosado | espaço cénico Carla Martinez | desenho de luz e vídeo João Cachulo | música ao vivo Sérgio Nascimento | interpretação Gustavo Vicente, Carla Martinez, Sérgio Nascimento | coprodução Teatro Municipal do Porto e São Luiz Teatro Municipal, Lisboa

teatro_camp_alegre7E.LE.MEN.TO

23 fevereiro, 21h, Teatro Municipal Campo Alegre

Gostava de me tornar vento.  

De me tornar água. De fluir em formas indefinidas. Sem procurar. Sem encontrar. Gostava de não usar palavras. Nem pensamentos. De ser vibração no céu da noite. Vibração de silêncios que ocupam o espaço até às estrelas. Gostava de seguir sendo. Como murmúrio da terra às primeiras linhas de fogo. Como a viagem de uma folha da copa até ao chão. Chuva em queda livre. Onda de calor nas dunas de areia. Gostava de ser energia. E esquecer-me. Ser elemento em liberdade. - Bruna Carvalho

Criação e interpretação Bruna Carvalho | música original Bruna Carvalho | gravação e apoio técnico Zeca Iglésias | desenho de luz Zeca Iglésias e Bruna Carvalho | produção Carolina Martins, Bruna Carvalho

teatro_camp_alegreTudo nunca sempre o mesmo diferente nada

1 março, 21h, Teatro Municipal Campo Alegre

“Tudo Nunca Sempre o Mesmo Diferente Nada” é um projeto operático dentro do que se poderá chamar música não-narrativa.

Não deixando de ser uma ópera, no seu sentido mais clássico, o projeto envolve uma conceção simultânea de música, libreto, projeção-vídeo e encenação que, apesar da música 'não-narrativa', de uma partitura 'não-determinista' e de uma encenação não discursiva, promove uma perceção quase linear do texto como elemento centralizador. Este libreto usa diversos micro-fragmentos de diferentes escritores/autores, por forma a criar um discurso coerente entre três personagens. O carácter fragmentário conferido pela teia de textos de diferentes origens é reforçado, nesta produção, pela encenação tripartida distribuída por três encenadores: Leonor Keil, Sónia Baptista e Sara Carinhas. Cada secção da ópera é assim interpretada por uma diferente perspetiva cénica induzindo mais ruturas num já ténue fio narrativo a unir as personagens. Apresentada em quatro atos, a ópera é uma sucessão de doze cenas de dez minutos cada, resultando numa duração total de duas horas. Apesar de usar um pequeno grupo de músicos – quatro cantores, um quarteto de clarinetes e um quarteto de cordas -, e resultar num volume sonoro relativamente reduzido, este projeto não é uma ópera de câmara. É uma produção pensada para um grande palco, onde a vídeo-projeção, a eletrónica em tempo real, os personagens cantores e a cenografia, embora minimais e/ou condensados, se inserem na tradição da grande ópera, quer através da sua escala temporal e de espaço, quer através do seu fio narrativo.

Música Tiago Cutileiro | encenação Sónia Baptista, Leonor Keil e Sara Carinhas | interpretação Inês Simões, Nélia Gonçalves, Maria Ermida e Maria João Sousa (cantoras), agrupamento Ars Ad Hoc | informática musical Ricardo Guerreiro

teatro_camp_alegre2A manual on work and happiness

9 março, 16h, Teatro Municipal Campo Alegre

Um grupo de pessoas, seguindo um manual de instruções, faz um espetáculo. Fazer um espetáculo, por mais divertido que ele seja, dá trabalho.

Para se entreterem a si próprias e ao público, elas contam histórias. Especulam sobre o que poderá ser o trabalho no futuro: quem o fará, como o fará, para quem. E é assim, entre trabalhar e falar de trabalho, que se procurará a felicidade.

Este espetáculo da mala voadora conta com a participação de um grupo de não-atores que, durante algumas semanas, tem uma experiência de trabalho performativo coordenada por Jorge Andrade.

Conceção do manual e direção Jorge Andrade, com assistência de Maria Jorge | texto Pablo Gisbert | interpretação Vítor d'Andrade e um grupo de participantes locais | cenografia José Capela com edição de imagem de António MV | desenho de luz Rui Monteiro | execução de figurino Aldina Jesus | fotografia de cena José Carlos Duarte | coprodução Artemrede (Portugal), Pergine Spettacolo Aperto (Itália), Arboreto Teatro Dimora (Itália), Teatro Municipal e Regional de Patras (Grécia) | cofinanciamento Programa Europa Criativa da União Europeia

teatro_camp_alegre3Quintas de Leitura: Esse fado vaidoso

14 março, 22h, Teatro Municipal Campo Alegre

De regresso às "Quintas de Leitura", Maria do Rosário Pedreira vai revelar uma dimensão menos conhecida na sua obra literária: as letras de fado.

Ao longo dos últimos anos, a poeta tem escrito dezenas de letras para conhecidos fadistas da cena musical portuguesa, nomeadamente Aldina Duarte, Carlos do Carmo, Ricardo Ribeiro, Ana Moura, Carminho, Cristina Branco, Pedro Moutinho e António Zambujo, entre outros. A sessão reúne, por isso mesmo, importantes figuras ligadas ao fado como Rui Vieira Nery, que conversará a este propósito com a poeta. Também António Zambujo não deixará de incluir no seu repertório algumas das letras que a convidada escreveu para ele. A imagem da sessão é assinada por Pedro Teixeira Neves, que mostrará ainda o resultado de um roteiro fotográfico realizado em típicas casas de fado lisboetas como "A casa da Mariquinhas", "Café Luso", "Boteko", "Adega dos Fadistas", "Adega Machado", "O Faia" e "Tasca do Jaime", entre outras. Pedro Lamares e a fadista Patrícia Costa asseguram as leituras da sessão, na companhia de Rosário Pedreira. Haverá ainda um momento de novo circo protagonizado pela bailarina e trapezista Joana Martins.

teatro_camp_alegre4Je t'aime

16 março, 21h, Teatro Municipal Campo Alegre

“Je t’aime” é um trabalho que coloca o corpo empático e a relação amorosa em evidência.

A dança como troca de energia entre dois corpos. Um ritual como ponto final de uma relação. Um momento de catarse a dois. Como construir e coexistir sem perder a sua individualidade natural e essencial?

Direc?a?o arti?stica, cenografia e figurinos Joa?o Costa Espinho | interpretac?a?o e cocriac?a?o Joa?o Costa Espinho e Joana Castro | desenho de luz Vera Martins | olhar exterior Peter J - Baalman | documentac?a?o fotogra?fica Susana Neves | documentac?a?o vi?deo Eva A?ngelo | coproduc?a?o Teoria Aprazi?vel Associac?a?o, Association Deepcuts, Companhia Insta?vel / Palcos Insta?veis, Teatro Municipal do Porto, Petites Formes D - Cosues / Point E?phe?mere, New Dance Alliance, Contradanc?a Festival | reside?ncias Casa de Portugal - Andre? de Gouveia - Cidade Universita?ria Internacional de Paris, Centro de Criac?a?o de Candoso - Guimara?es / Centro Cultural Vila Flor | Projeto apoiado por República Portuguesa – Cultura / Direc?a?o Geral das Artes  

teatro_camp_alegre5Moving with Pina

22 março, 21h | 23 março, 19h, Teatro Municipal Campo Alegre

A figura, o gesto e o discurso de Pina Bausch permanecem colados no nosso imaginário da dança.

Sabemos como foi marcante o seu reportório, como os criadores depois dela são, de certo modo, seus filhos, como soube melhor que ninguém revelar nos corpos dos heróis e das heroínas a fragilidade e a condição humana. Este imaginário subsiste também no espectador, mesmo que não a tenha visto dançar em “Café Muller”, a única peça em que a coreógrafa entra como intérprete e que se apresentou pela última vez em Portugal em 2008, pouco mais de um ano antes da sua inesperada morte e dez anos depois de “Mazurca Fogo”, trabalho sobre a cidade de Lisboa, por ocasião e encomenda da Expo-98. Pina e o seu universo sensível estão registados na nossa memória, tanto como na última cena do filme melodramático “Fala com Ela,” de Pedro Almodóvar; no documentário “Lissabon-Wuppertal-Lisboa”, de Fernando Lopes; no livro que a crítica portuguesa Cláudia Galhós lhe dedicou; na apresentação de “Bamboo Blues” e “Sweet Mambo” no Teatro Nacional São João em 2011, a última vez que o Tanztheater Wuppertal, companhia que fundou em 1973, esteve no Porto e onde dançava Cristiana Morganti. Quem não se lembra do vestido florido, do cabelo encaracolado e das sapatilhas de pontas recortadas sobre a paisagem industrial de Wuppertal, na cena de Morganti para “Pina”, de Wim Wenders? A célebre intérprete, que participou em quase todo o reportório como solista do Tanztheater desde 1993, convida-nos para uma conferência-performance que é um mergulho intimista aos ensaios do ponto de vista de um bailarino. Como é um construído um solo? Qual é a relação entre movimento e emoção? Como é que um bailarino e a cenografia se relacionam? Quando pode um gesto tornar-se dança? E, sobretudo, o que faz com que aconteça uma relação mágica e misteriosa entre o artista e espectador? Partindo de excertos exemplificativos, para depois falar sobre o que dançou, Cristiana Morganti mostra os seus interesses e a sua experiência com a coreógrafa alemã. “Moving with Pina” aviva uma lembrança íntima desta personagem que se tornou icónica, ao mesmo tempo que a humaniza na sua partilha com o público, para nos continuarmos a lembrar de que não importa tanto o modo como as pessoas dançam, mas a razão porque o fazem.

Criação e interpretação Cristiana Morganti | produção il Funaro – Pistoia | com o apoio de Pina Bausch Foundation/Wuppertal

teatro_camp_alegre8W

29 e 30 março, 21h, Teatro Municipal Campo Alegre

“W” é um concerto encenado para marionetas, orquestra robótica e vídeo que parte da temática do trabalho, da libertação humana e das lógicas de poder, subjugação e dominação iniciadas com a elaboração de Phobos - Orquestra Robótica Disfuncional.

Estas questões, expostas de uma forma subliminar e essencialmente musical na conceção original de Phobos, passam agora a um plano dramatúrgico claro e reforçado pelo texto, gesto, corpo, vídeo e espaço cénico que reforça e faz destacar todos os elementos sonoros desenvolvidos. W é o símbolo físico do trabalho e este concerto encenado é, ele mesmo, o resultado de milhares de horas de trabalho. Mas afinal o que é o trabalho? A peça atravessa uma diversidade de lugares e imaginários onde prospera essa estranha forma de vida, simultaneamente libertadora e opressiva que tem transformado o mundo num grande estaleiro, num grande centro comercial.

Conceção e gestão do projeto Gustavo Costa | encenação, cenografia e dramaturgia Igor Gandra | composição e direção musical Gustavo Costa | vídeo Jorge Quintela | realização plástica Eduardo Mendes | interpretação Adriana Romero, Alberto Lopes, Carla Veloso, Eduardo Mendes, Gustavo Costa, Henrique Fernandes, Tiago Ângelo | produção Sonoscopia, Teatro de Ferro | coprodução Teatro Municipal do Porto | parceria 23 Milhas | Projeto apoiado pela República Portuguesa – Cultura/Direção-Geral das Artes

Teatro Municipal Campo Alegre

Rua das Estrelas s/n

4150-762 Porto

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