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Ribeira Negra, agora sim!, por Agostinho Santos

agostinho_santosAgostinho Santos, jornalista e artista plástico, lança o tema de discussão neste espaço de debate. Natural de Vila Nova de Gaia, frequentou o Mestrado de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e o Doutoramento em Museologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

O artista conta já com 58 exposições individuais, em Portugal, Espanha, Brasil e Índia e participou em mais de 250 mostras colectivas no país e no estrangeiro.

Ribeira Negra, agora sim!

O painel que deu origem à magnífica obra de cerâmica “Ribeira Negra”, da autoria do mestre Júlio Resende, que está colocado junto ao túnel da ribeira, no Porto, conseguiu, ao que parece, definitivamente, um lugar digno.

Trata-se do primeiro andar da Alfândega, edifício majestoso, que, por acaso, celebra 150 anos. Antes de mais, acho que é uma boa notícia para o Porto, principalmente para todos os que gostam dessa coisa chamada cultura e, particularmente, para os amantes das artes plásticas, poder observar o original em papel.

 

 

“A Ribeira Negra” é, em boa verdade, uma excelente obra, considerada por muitos a obra prima de Júlio Resende, que foi doada há mais de duas décadas à cidade pelo pintor e que os responsáveis autárquicos tão mal trataram, ao longo do tempo.

Ou, melhor, não trataram, deixaram-na estar encaixotada nos armazéns camarários durante muitos anos. Sei mesmo, porque conversei várias vezes com Júlio Resende, que, durante esse período, o mestre andava descontente, desiludido, triste mesmo, com a atitude da Câmara Municipal do Porto e até me disse, e está referenciado numa entrevista que concedeu ao Jornal de Notícias, que, “se fosse hoje (naquela altura), não tinha doado o painel à cidade”. Finalmente, e com a intervenção de diversas instituições, nomeadamente a Câmara do Porto, o painel original conseguiu um lugar digno, à altura da qualidade estética da obra, onde poderá ser visto e apreciado por todos os portuenses (e não só) que o desejem fazer.

É evidente que o edifício da Alfândega poderá não ser o local ideal (óptimo seria, por exemplo, o Museu Soares dos Reis ou, até, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves), mas é, no entanto, e disso não tenho dúvidas, muito melhor do que estar, como esteve, durante vários anos, encaixotado num frio armazém camarário.

“Ribeira Negra” está em exposição e ao dispor de todos, protagonizando, agora sim, o principal objectivo do pintor quando o doou à sua cidade. Cumpriu-se finalmente a vontade de um grande nome da nossa arte contemporânea e deu-se (até que enfim) a oportunidade ao público para se deliciar com uma obra desta natureza.  

Agostinho Santos

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