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Débora Monteiro

debora_monteiroJovem força do Norte

Fazer cinema, estrear-se na área do teatro e ser mãe são os principais desejos de Débora Monteiro, jovem atriz bem conhecida da televisão portuguesa pela ousadia e sensualidade dos papéis que interpretou em diferentes telenovelas. Para esta “mulher do norte”, de alma e coração, o sotaque portuense é uma parte da sua identidade, que não tenciona esconder, independentemente do sítio onde estiver.

Com um gesto firme, descalça as havaianas, assume os saltos altos brancos e desafia a objetiva para um confronto que fica resolvido aos primeiros disparos. A segurança com que posiciona o rosto e a forma como direciona o olhar denunciam-lhe anos de experiência como manequim. “No fundo, só preciso mesmo de me entender com o fotógrafo e tudo é mais fácil”, notou, de sorriso rasgado. Ainda assim, quando o número de exigências é inversamente proporcional à margem de negociação... “está o caldo entornado”. “Tenho um feitio especial: se não gostar de alguma coisa, vou, de certeza, demonstrá-lo”, confessou a atriz Débora Monteiro, conhecida do grande público pelos diferentes papéis que interpretou em várias telenovelas portuguesas.

Natural de Vila Nova de Gaia, a jovem mudou-se para Lisboa pouco depois de completar a maioridade mas jura manter o caráter temperamental das mulheres do norte. É por isso que, agora com 30 anos, faz questão de respeitar a pronúncia da sua terra natal, afirmando-a com orgulho. “No início disseram-me para perder a pronúncia porque revelava o lado do povo. Então, nesse caso, vou juntar-me ao povo e continuar a falar normalmente porque a Débora é assim”, constatou, sem hesitações. Apesar de assumir uma personalidade forte, admite que, por vezes, explode “com muita facilidade”. “Gostava de conseguir dominar-me um pouco mais nessas situações. De resto, sou uma rapariga divertida, genuína, que tem sonhos e tenta alcançá-los”, sublinhou.

Da moda ao sonho “inalcançável” de conquistar a “caixa mágica”
Na verdade, Débora estava longe de imaginar que o rumo da sua vida poderia ser transformado, logo aos 14 anos, graças a um ultimato feito pela irmã. Abordada na rua por uma agência de modelos, Soraia Monteiro foi convidada a realizar um curso de manequim, desafio que se comprometeu a aceitar no caso de poder ser acompanhada por Débora. “Disseram-lhe que precisavam de me ver para perceber se realmente fazia sentido apostar em mim e, entretanto, aceitaram e tirámos as duas o curso”, contou a atriz. Apesar de terem começado a dar os primeiros passos no mundo da moda na mesma agência, o percurso das irmãs Monteiro acabou por se separar. “Ela ficou agenciada num sítio e eu noutro porque, na altura, já tinha algumas curvas e havia uma certa tendência para mulheres muito magras”, explicou. Nos anos seguintes, o bichinho da moda foi-se desenvolvendo, aperfeiçoando-se em cada campanha publicitária realizada. “Nunca tive problemas em fazer desfiles e sessões fotográficas. Divertia-me com o que fazia e, por isso, nunca tive preconceito ou vergonha desta profissão”, garantiu.
Entre os trabalhos preferidos de Débora Monteiro estavam as publicidades que incluíam texto falado. “Na altura, achava-as o máximo porque a publicidade era bem paga e, se tivesse de falar, ganhava ainda mais”, frisou, bem disposta. No entanto, a escolha dos trabalhos era feita de forma criteriosa, mesmo contra a vontade das agências. “Só ia aos castings se achasse que valia mesmo a pena. Tinha de ir com a sensação de que ia ficar com o trabalho, se não nem saía de casa”, garantiu. Entretanto, a jovem decidiu mudar-se para a capital, com a “desculpa” de que iria fazer formação na área do desporto. “Como era manequim pensei: ‘bem, vou para Lisboa, onde há mais oportunidades, e, como os ginásios são caros, tiro um curso de instrutora de fitness e junto o útil ao agradável”, contou. Assim foi. No entanto, a insistência dos realizadores de publicidade acabou por abalar os objetivos da jovem modelo. “Perguntavam-me por que é que não enveredava pelo caminho de atriz e diziam-me que devia tentar. Aquilo ficou-me na cabeça, mas parecia-me algo impossível, inalcançável”, sublinhou. Contudo, o improvável acabou por acontecer e Débora conquistou um papel em “Tempo de Viver” – telenovela portuguesa, transmitida em 2006, na qual vestiu a pele de Helena, uma acompanhante de luxo que mantinha uma relação com um homem mais velho.
Agora, à distância do tempo, é com saudade e boa disposição que a atriz recorda a sua estreia televisiva. “Coitadinha de mim! Eu tinha noção de que não estava a 100%, era uma miúda, não tinha as bases necessárias para trabalhar como atriz”, reconheceu, realçando que as palavras de incentivo dos realizadores foram fundamentais para que tivesse a certeza de que a sua carreira não terminaria ali. Dois anos depois, em 2008, participou na série juvenil “Morangos com Açúcar”, interpretando o papel de Bruna, “uma miúda tranquila e romântica” que geria um bar na praia, em Odeceixe.
“Para mim foi uma experiência maravilhosa. Só fiz a série de verão, por isso, foram só três meses, mas diverti-me como nunca. Acabou por ser uma aprendizagem. Pensava que os atores vinham da série anterior de nariz empinado e foi precisamente o contrário”, reconheceu.

Desafiar os limites da sensualidade
Em 2009, um novo desafio viria a marcar, para sempre, o percurso da atriz, que teve oportunidade de participar no filme “Duas Mulheres”, de João Mário Grilo, contracenando com Beatriz Batarda, Nicolau Breyner e Virgílio Castelo, entre outros. “Estava muito nervosa por contracenar com a Beatriz, sobretudo porque tinha vindo dos ‘Morangos com Açúcar’ e, por isso, estava um pouco catalogada quando cheguei à equipa de cinema. Depois, nós as duas tivemos cenas muito ousadas, em que estávamos expostas fisicamente, e tivemos de descomplicar. Juntámo-nos e pensámos: ‘isto é um trabalho de equipa, vamos defender-nos uma à outra’”, contou a jovem, admitindo que, hoje, quando vê o filme, tudo parece mais simples.
Para a telenovela “Dancin’Days” (2012), Débora Monteiro viu-se de novo com uma tarefa de elevada responsabilidade em mãos: a de testar os limites da sua sensualidade no papel de uma stripper. Para conseguir estar à altura das exigências de cada cena, a atriz teve aulas de dança no varão, experiência que acabou por mudar radicalmente a forma como encarava a profissão destas mulheres. “Surpreendeu-me sobretudo o grande preconceito que ainda existe em relação às strippers que, se formos ver, são pessoas com mais formação, mais cultas e viajadas do que eu”, defendeu.
Apesar de se considerar uma mulher sensual, reconhece que dar vida àquela personagem foi bastante difícil. “Mesmo já tendo trabalhado como manequim e já tendo estado mais exposta fisicamente em capas de revistas [foi capa da Maxmen em 2010, por exemplo], ter de dançar à frente da equipa inteira que, juntamente com figurantes, perfaz cerca de 50 pessoas, foi o mais complicado. De repente comecei a tremer e nem me conseguia equilibrar”, contou, entre gargalhadas.
Mas antes disso, Débora teve “uma das melhores experiências” da sua vida no programa de televisão “Último a Sair” - sátira aos ‘reality shows’ na qual participou ao lado de, por exemplo, Bruno Nogueira, Rui Unas, Roberto Leal e Luciana Abreu. Apesar de se sentir intimidada por figuras já bem conhecidas da comédia, a atriz decidiu arriscar tudo e fazer o melhor uso possível da improvisação. Na altura dos castings, foi-lhes pedido que discutissem a propósito... de um pedaço de pão, situação que a jovem resolveu, de imediato, à boa moda portuense. “Usei algumas expressões que se utilizam no Porto porque há pessoas que gostam muito de ficar com o ‘cu da regueifa’, que é a parte mais saborosa”, brincou. Certo é que a atriz convenceu a equipa e foi admitida no programa, durante o qual protagonizou uma das cenas mais apreciadas pelo público – a da “coreografia sexy do Unas”.

“Gostava de voltar a viver no Porto se pudesse continuar a fazer o que gosto”
Admiradora dos genes do Porto – que são tão seus – a atriz confessa que gostaria de voltar a viver na sua cidade natal se não tivesse de interromper os projetos profissionais. “Neste momento, sinto que não conseguia regressar porque o meu dia a dia é aqui [em Lisboa]. Se conseguisse juntar os dois mundos seria maravilhoso”, reconheceu, com um brilho diferente no olhar.
Da sua infância em Vila Nova de Gaia guarda as recordações de poder brincar na rua e o carinho do senhor Pinho, da mercearia lá da zona, que ainda hoje a trata por “filha”. “Sinto falta de andar na rua e cumprimentar os vizinhos, das comidas da minha mãe e do hábito de ir tomar café, à noite, com os amigos, que é algo que cá não fazemos, durante a semana”, enumerou. À mulher do norte reconhece um lado sincero, genuíno e, muitas vezes, impulsivo, capaz de magoar os que não estiverem habituados a semelhante temperamento.
Mas uma das características que mais aprecia nos portuenses é o facto de serem despachados e de estarem sempre prontos a arregaçar as mangas para lançar mãos à obra. Os passeios pela Ribeira e pelo Palácio de Cristal, as idas com a mãe ao Mercado do Bolhão e os momentos passados com a irmã no Solar do Vinho do Porto, onde descobriu o Porto branco, são lembranças que a deixam feliz. “Ao lado do Bolhão existe uma casinha de enchidos com umas morcelas doces maravilhosas! Tínhamos de ir sempre lá!”, contou, reconhecendo que a gastronomia é uma das suas perdições, razão pela qual tem o congelador repleto de alheiras de Mogadouro.
Apesar de se deslocar ao norte sempre que pode, o dia a dia de Débora Monteiro passa irremediavelmente por Lisboa, onde desenvolve todo o processo de construção das suas personagens, inspirando-se não só em conhecidos nomes do cinema, como Cate Blanchett e Meryl Streep, mas também nas suas vivências, memórias e emoções. Vestir a pele de diferentes pessoas é, para a jovem, a parte mais divertida do seu trabalho, que pode, contudo, ser bastante desgastante. “Às vezes, no final das gravações, chego a casa e sinto-me completamente exausta. Muitos atores, sobretudo os mais velhos, dizem que é preciso saber ‘desligar’. Eu acho que ainda não sei e isso mexe comigo para o bem e para o mal”, contou. Se, num dia, tem de gravar cenas mais emotivas, Débora sente necessidade de “preparar esse sofrimento” com alguma antecedência, numa espécie de “trabalho interior”.
Outra dificuldade que associa à profissão é a instabilidade a que os atores estão sujeitos em Portugal. “Somos muitos para um país tão pequeno, temos poucos direitos e toda a gente pensa que somos ricos, esquecendo-se de que temos fases muito instáveis”, frisou. No entanto, mudar-se definitivamente para outro ponto do globo nunca fez parte dos planos da gaiense. “Temos um país maravilhoso em termos de gastronomia, paisagens e pessoas”, defendeu, referindo estar confiante de que a situação económica nacional vai melhorar.
Os momentos de pausa são aproveitados para sessões de treino no ginásio, passeios com o namorado e idas ao cinema. Viajar é outra das paixões da atriz, que esteve, recentemente,de férias no Brasil. Com uma lista de prioridades bem definida, Débora sabe o que tem de fazer para alcançar a realização profissional e pessoal: voltar a fazer cinema, aventurar-se no teatro, que ainda a intimida, e, definitivamente, ser mãe. “Ando a ser egoísta porque coloco sempre o trabalho à frente do resto e quero muito ser mãe”, confessou, revelando já ter alguma experiência com miúdos, graças aos sobrinhos. Certo é que, nos próximos meses, o desejo da atriz terá de continuar em suspenso ou não fosse ela uma das caras da próxima telenovela da SIC, que ainda permanece no segredo dos deuses.
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