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“Chá das cinco e dois dedos de conversa”

cha5_8Um chá pedagógico

“Chá das cinco e dois dedos de conversa” pretende pegar numa velha tradição do Porto: as tertúlias que proliferavam nos cafés. Valorizar a história e o património é o objetivo da iniciativa, que conta com o carimbo do historiador Joel Cleto. A próxima sessão está já marcada para o dia 15 de dezembro.

“A arquitetura e os arquitetos do Coliseu do Porto” foi o tema do “Chá das cinco e dois dedos de conversa”, que decorreu no passado dia 17 de novembro. A iniciativa de Joel Cleto e família, reunida no projeto “Tacitus”, contou com a participação do arquiteto João Rapagão e de Rosa Caramez, da Casa Lapão.

De referir que o “Chá das cinco e dois dedos de conversa” é um dos projetos da “Tacitus - Património & História”, que nasceu na primavera passada.

cha_5_2Para além da colaboração com o Porto Coliseum Hotel, unidade hoteleira instalada no mesmo edifício da histórica e icónica sala de espetáculos da cidade, o “Chá das Cinco e dois dedos de conversa” tem também uma parceria, iniciada em setembro, com a Confraria Gastrónomos dos Açores e com a empresa açoreana “Gorreana”, fundada em 1883 e responsável por aquela que é a mais antiga, e atualmente única, plantação de chá da Europa. Mas a sessão de novembro contou ainda com uma nova parceria: a da histórica casa que guarda e divulga o melhor da tradição transmontana da doçaria conventual –  a Casa Lapão, de Vila Real. Também a “Ach Brito”, empresa histórica do Porto que comemora em 2018 o seu centenário, se associou a esta sessão do “Chá das Cinco e dois dedos de conversa”. Aliás, durante esta sessão, João Rapagão revelou, com base nas notícias publicadas em 1942, que, aquando da inauguração do Coliseu, nesse dia, além da cerimónia de gala, a sala se encontrava perfumada pela “Ach Brito”.

A primeira sessão da iniciativa teve lugar no Parque da Cidade. Depois foi elaborada uma segunda sessão, “já aqui no terraço do Porto Coliseum Hotel, levantando um bocadinho a questão do próprio Coliseu”, disse-nos Joel Cleto.

cha_5_dezembroEste ‘chá das cinco’ pretende pegar numa velha tradição do Porto que eram as tertúlias que proliferavam nos cafés. Aqui “há um tema em discussão, haverá sempre um convidado que poderá estar em diálogo comigo. Mas a ideia é que a conversa se generalize. Por isso, não pode ser uma iniciativa com muita gente. Tem que ser algo mais intimista”, sublinha. “Pretendemos valorizar a história e o património, que não tem que ser algo chato”, salienta Joel Cleto.

Quanto à adesão do público, “começamos há relativamente pouco tempo. Isto está a crescer”, afirma.

O próximo “chá” vai ter lugar também num sábado, a 15 de dezembro, no terraço do Porto Coliseum Hotel, e será dedicado às relações do Porto com o Natal. À conversa com os presentes estará o historiador Joel Cleto que, entre outros assuntos, abordará a igreja do Pai Natal localizada na cidade, a curiosa e muito rara representação da Anunciação no Mosteiro de Leça do Balio, a existência no Porto de uma igreja com um presépio com quatro reis magos, a explicação para o facto da atual rua dos Clérigos já ter sido a Calçada da Natividade, e algumas doces “estórias” relacionadas com o bolo-rei e outras iguarias natalícias…

coliseu_antigo2A história do Coliseu do Porto

Sabia que o Coliseu do Porto nasceu em 1941, para substituir o Jardim Passos Manuel?

O Porto dos anos 40 traduz-se numa cidade, de acordo com o arquiteto João Rapagão, de “grandes assimetrias. Não é monumental como Lisboa”.

Estas assimetrias são também patentes nos Aliados, onde confluem diferentes estilos arquitetónicos.

No entanto, já desde 1911 que há desejo da cidade de apresentar um edifício imponente, voltado para a cultura.

Contudo, o processo começou com o ‘pé esquerdo’, com os primeiros desenhos bloqueados pela Comissão de Estética da Câmara do Porto. O processo andava, assim, muito lentamente.  

No meio desta aflição e inconstância, surge Cassiano Branco, que se viria a revelar uma figura chave na história do Coliseu do Porto, juntamente com outros arquitetos como José Porto, Yan Wils, Júlio de Brito, Charles Siclis ou Mário Abreu.

Há uma espécie de relação amor/ódio com Cassiano que, com o seu comportamento difícil, acabou por se afastar do empreendimento. Mário Abreu é quem vem acabar esta obra.

Propriedade da companhia de seguros Garantia, após 22 meses de obra e com uma construção no valor de 11 mil contos, o Coliseu do Porto abriu as suas portas ao público pela primeira vez a 19 de dezembro de 1941 com um Sarau de Gala.

coliseu_antigoPara Portugal, o projeto do Coliseu do Porto era uma espécie de bandeira do país. Não é, contudo, a nível estético do Estado Novo, de apologia do regime.

Em 1995 abriu um outro capítulo conturbado para o Coliseu do Porto, pois foi colocada em cima da mesa a hipótese do Coliseu ser entregue à IURD (Igreja Universal do Reino de Deus)..

A cidade, entretanto, sai para a rua, e consegue salvar o histórico edifício. Foi nesta altura formada a Associação Amigos do Coliseu do Porto.

No dia 28 de setembro de 1996, poucas horas após o evento Portugal Fashion, que contou com a participação da top model Claudia Schiffer, ocorre um incêndio que destrói por completo a caixa de palco e faz graves estragos na sala principal e camarins. Ainda com a memória do ano anterior, gera-se uma nova onda de solidariedade que reúne o apoio de instituições, empresas e particulares. Só assim foi possível a reabilitação do edifício em poucos meses, permitindo que o Coliseu abrisse novamente as portas a 12 de dezembro. Mesmo a tempo de não quebrar a tradição do Circo de Natal.

jardim_passos_manuelAntes do Coliseu do Porto

O que havia antes do Coliseu do Porto? Simples, o que o arquiteto João Rapagão apelidou de “Parque Mayer da Cidade”, o Salão Jardim Passos Manuel, um recinto amplo, de recreio. Um verdadeiro ponto de encontro dos portuenses.

É “um património vastíssimo que desaparece em 1938”, disse.

O Salão Jardim Passos Manuel, que começou por ser Salão de Cynematographo, foi inaugurado em 1908 no preciso local onde hoje vemos o edifício do Coliseu. O imediato sucesso do espaço levou a que o seu dono, o empresário de teatro Luíz Alberto Faria de Guimarães, avançasse poucos anos depois com uma profunda remodelação e ampliação do salão, de forma a acolher uma sala de espetáculos com jardim-esplanada, salão de festas, pavilhão restaurante, music-hall e um pequeno teatro.

pasteis_santa_claraA Casa Lapão

Rosa Caramez, da Casa lapão, falou de uma herança com perto de 100 anos na área da doçaria conventual e regional.

As “cristas de galo” constituem um ícone da Casa Lapão. Um dos seus segredos reside na maneira como é trabalhada a gema do ovo, sendo o ‘receituário’ basilar nesta caminhada de sucesso.

Responsável pela preservação da memória do saber fazer (e também do saber saborear) de famosos doces conventuais e tradicionais como as “cristas de galo”, os “pasteis de Santa Clara” ou os “pitos de Santa Luzia”, a Casa Lapão é herdeira da padaria de Vicência Cramez e Francisco Delfim (o “Lapão”), fundada há cerca de cem anos, nos finais da Primeira Guerra Mundial.

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