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Mallu Magalhães

mallu_1“Tenho um otimismo crónico”

Depois de “Pitanga” (2011) e da aventura na Banda do Mar, Mallu Magalhães regressou aos discos com “Vem” (2017), produzido pelo marido Marcelo Camelo e gravado entre Lisboa, São Paulo e Rio de Janeiro. A 27 de outubro a artista brasileira pisa o palco do Coliseu do Porto. Motivo perfeito para uma deliciosa conversa que passou pelas diferentes fases de Mallu. Um natural caminho de amadurecimento sucedeu ao longo de 11 anos de carreira, com uma premissa permanente: a sinceridade para com o público.

De “Pitanga” (2011) a “Vem” (2017) há um natural processo evolutivo, solidificado com a maternidade, onde tudo o que é verdadeiramente importante segue em primeiro plano. Todos os seus álbuns são pessoais apesar de existir um “antes”e um “depois”.

Há sempre um caráter autobiográfico nas canções o que, naturalmente, reforça e aproxima a cantora dos fãs, através da identificação de vivências.

O Coliseu do Porto prepara-se para receber Mallu Magalhães já este mês, com data marcada para o dia 27 de outubro. A consagração da artista paulista em Portugal tem sido cada vez mais evidente e as duas datas nas duas das salas mais importantes do país (Mallu atua este sábado no Coliseu dos Recreios) são reflexo dessa crescente empatia com o público português.

mallu2Mallu continua a apresentar o seu mais recente trabalho “Vem” (Sony), disco gravado em Portugal, de onde saiu o single “Você Não Presta”, que chegou rapidamente aos cinco milhões de visualizações. Alias, os milhões de seguidores e visualizações no youtube são bastante significativos como o caso de “Velha e Louca” (21 milhões de visualizações) e “Sambinha Bom” (4 milhões).

A artista brasileira mais querida do público português teve estreia por cá em 2014 com a Everything is New, em dois concertos esgotados no Centro Cultural de Belém (Lisboa) e na Casa da Música (Porto). Agora a festa repete-se no Coliseu do Porto, para um concerto certamente especial.

Denoto um forte processo de amadurecimento entre o registo “Pitanga” e “Vem”. Sentiu isso, também?

Sim, realmente são álbuns diferentes. Acho que foram intenções distintas, acima de tudo. O “Pitanga” era muito experimental, muito calmo, muito caseiro. Quase todos os instrumentos foram só eu e o Marcelo [Camelo] com outras pequenas participações. Foi algo artesanal…

mallu3O “Vem” é mais para o exterior, mais solar…

Trata-se de um disco com uma intenção mais exteriorizada. Tinha o desejo que a música fosse amplificada. Enquanto que o “Pitanga” era quase como uma lembrança pessoal, embora, ressalvo, os dois álbuns são pessoais.

O quotidiano acaba por ser o mote?

O quotidiano é natural. Acho que é no quotidiano que nos revelamos verdadeiramente.

E é uma forma de solidificar o relacionamento com o público porque os temas acabam por ser facilmente identificáveis…

Também. Acho que ao falar de coisas que são de todos, torna-se mais fácil ‘dar as mãos’. É como se estivesse a tocar na mesma garrafa, e todos a beber da mesma água.

Relativamente às suas canções falávamos há pouco do quotidiano como mote. Há aqui um certo registo autobiográfico, de certa forma enraizado…

Sim. Vai de encontro à questão do quotidiano. É algo muito presente, essa transparência, essa verdade. Eu só consigo levar as coisas para a frente, quando acredito nelas.

mallu4O registo “Vem”, mais solar, acaba por se relacionar com a Banda do Mar. É possível revelar o regresso deste grupo?

Por um tempo não deve ter nada. O Marcelo [Camelo] vai agora lançar um trabalho novo e adianto que é fenomenal.

O Fred tem os seus projetos, como os Orelha Negra e o trabalho como produtor. E eu, ‘toda enrolada’ como sempre (risos).

A maternidade também acabou por influenciar o segundo álbum…

Sim, com certeza. Acho que influencia muito. Os motivos mudam bastante a intensidade das coisas. O que não tem tanta importância passa a ser pequeno. E as coisas que são realmente importantes ficam mais presentes. Ficamos com mais sintonia com o mundo, uma sensação de paz e plenitude que julgo não ter ainda encontrado noutro lugar.

Em termos de influências musicais a Mallu ‘bebe’ muitas. Pode citar algumas?

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Gal Costa, Caetano Veloso, Dominguinhos…Todas essas referências fundamentais do Brasil, mas também referências modernas. Muita coisa contemporânea. Os próprios Orelha Negra, Los Hermanos, o trabalho do Marcelo. Acho que tem muita influência, não só por ser meu produtor, mas também companheiro.

Eu, curiosamente, tenho um apreço específico por bolero, e do jazz antigo. Acaba por ser um universo bem diverso (risos).

mallu7Sente-se lisboeta, ou, por outro lado, ainda uma turista, sempre a descobrir?

Eu acho que depende da região (risos). Onde eu convivo mais, passo mais tempo, já sou bem lisboeta. Já conheço todos os serviços, as pessoas. Sei onde é o Centro de Saúde. Já estou bem ‘enturmada’. Quando vem alguém já consigo apresentar a cidade.

Tudo depende do bairro, pois em certos casos posso voltar a ser turista (risos). E isso é bom.

Se não tivesse sido a música a ‘resgatá-la’, que profissão teria escolhido?

Talvez literatura, artes plásticas, bordado, ou costura.

E como é que descreve a sua passagem pelo Festival da Canção no registo escrita?

Adorei. Achei um privilégio receber esse convite. Foi uma honra mesmo poder participar no evento. É tão marcante para a cultura europeia e portuguesa. É muito simbólico também. Foi uma passagem feliz. Divertimo-nos.

Que balanço estabelece da sua carreira até ao momento?

Acho que foram 11 anos de muito trabalho e de muita dedicação. Hoje vejo o quanto arrisquei. Tenho um otimismo crónico. Acredito muito no sonho. Acho que ‘sorte’ e ‘milagre’ gostam de quem gosta deles.

Sempre tomei decisões e me entreguei à vida e às coisas com um otimismo e de peito aberto. Acho que essa metodologia de aceitação foi muito construtiva. Claro que passarei por dificuldades. Faz parte.

Mas acho que consegui alguns marcos que foram de maior afirmação. Por exemplo, a Gal Costa ter gravado uma música minha. Tudo isto deu-me a sensação de que afinal vale a pena.

Também há marcos pessoais, como o facto de ter conhecido o Marcelo [Camelo], a minha banda de apoio que ficou minha amiga, o Tom Zé….

É difícil listar. Passa por poder conhecer essas figuras que são tão importantes para nós…É muito gratificante.

mallu10O que acha da cidade e do público portuense?

Fui-me apegando cada vez mais. Toda a vez que passo por cá, acho bonito, até porque esta cidade apresenta uma vida cultural muito rica. Acho encantador. O público é muito atento, nesta cidade incrível também para passear. Acho que tem tudo para ser uma noite linda para todos.

O que podemos esperar do concerto no Coliseu do Porto?

Acho que vai ser um concerto bastante emotivo, porque é o último da tournée. E não vai ter outro por um bom tempo. Certamente vou estar especialmente tocada. O espectáculo está muito bonito. A banda está muito entrosada, musicalmente está muito bem feito. Os arranjos prometem. São oito pessoas no palco.

Musicalmente está uma felicidade e o cenário está fantástico, com inspiração japonesa. E uma roupa linda da Alexandra Moura (risos). Acho que chegamos lá em todos os aspetos.

O que se segue?

Tenho alguns concertos na Espanha, Holanda. Passo, também pelo Brasil, mas não a solo. Depois vou parar um pouco.

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