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Selma Uamusse

selmaUm regresso a casa com “Mati”

Selma Uamusse já não é a “menina do coro” dos Wraygunn. Atualmente apresenta-se a solo, com um registo repleto de espiritualidade e fé. Criou uma relação tão especial com o Porto, que quer precisamente arrancar os concertos da digressão deste especial “Mati” no norte do país. Ficamos a aguardar…

Do primeiro disco de Selma Uamusse, produzido por Jori Collignon (Skip & Die), já são conhecidos os singles de avanço “Ngno Utana Vuna” e “Mozambique”. Temas que lhe abriram as portas de festivais como o Bons Sons, Rock in Rio, Belém Art Fest, e ainda convites para concertos na Alemanha, França e Moçambique.

Depois de participações com Rodrigo Leão, Throes+The Shine, Moullinex, Medeiros/Lucas, Joana Barra Vaz e Octa Push, Selma explora o teatro, com as peças “Passa-Porte” (André Amálio) e “Ruínas” (António Pires), e ainda, o cinema com “Cabaret Maxime”, o novo filme de Bruno de Almeida.

Se bem se recorda, até há pouco tempo a música de Selma Uamusse respeitava outros estilos, bem distintos dos sons oriundos do seu país natal. Daí surgiu esta busca assumida pelo que a fez ser a pessoa e artista que é hoje.

Em visita física e, também, espiritual a Moçambique, Selma Uamusse concluiu que, mais do que assumir a tradição moçambicana como sua, a artista precisa de inventar uma outra forma pessoal de se relacionar com essas mesmas raízes.

caoaAssumiu, por isso, as letras em changana e em chope, integrou na sua música instrumentos tradicionais como a mbira, e construiu uma música que, curiosamente, é tudo menos uma replicação de sons típicos de Moçambique.

Em termos sonoros é, sucintamente, a partilha da sua identidade.

Este registo representa uma forma de explorar as suas raízes?

Certamente. O meu percurso musical já começou há muito tempo. Nunca tive uma intenção direta de apresentar um projeto a solo.

Até 2010 trabalhava enquanto engenheira e cantora. Em 2012 decidi dedicar-me exclusivamente à música. Fui desafiada a explorar todos os meus mundos (gospel, soul, rock…) mas com um ponto de partida, que é a minha identidade moçambicana. Foi uma espécie de regresso a casa, sem ser algo forçado.

Com efeito, entreguei-me mais à música tradicional moçambicana, com instrumentos musicais muito característicos.

Assim, “Mati” apresenta uma sonoridade e ritmos próprios, sem esquecer todos os meus outros universos. O gospel, jazz, soul, rock and roll… Uma espécie de fusão.

Então é incorreto apelidá-lo apenas de tradicional….

Não é de todo correto. Para quem seja um purista de música tradicional deverá dizer que estou a cometer uma grande gaffe (risos).

É, sim, um disco em que me inspiro na música tradicional moçambicana, mas também para abraçar outros caminhos.

matiQuanto à temática deste álbum, podemos resumi-la em três palavras: Moçambique, amor e esperança?

Sim, são representativas. Mas talvez sejam demasiado sintéticas. Até porque o amor que falo no disco não é de todo um amor romântico, que é mais universal. Eu diria que ficaria mais completo se fosse fé, amor e esperança. Porque é um disco com um lado espiritual muito acentuado.

A gratidão está muito presente neste disco. E é precisamente este tipo de amor que falo neste registo. Não tem canções românticas.

Mas também apresenta um outro lado mais social, que está ligado às minhas preocupações, com conotação mais política, de intervenção, de estarmos atentos aquilo que é a nossa sociedade. Resumidamente, um olhar de e para a sociedade, com amor, mas também com atenção. Devemos estar atentos ao que está à nossa volta. Temos que ser agentes ativos e modificadores da sociedade.

O processo de gravação do álbum foi longo passando por vários produtores até assentar em Jori Collignon. Como descreve este percurso?

Foi um processo doloroso por um lado, mas também muito edificante. Foi importante para a solidificação de uma sonoridade.

Neste contexto, tive muito a oportunidade de tocar ao vivo as músicas. Pude fazer o disco um bocadinho à moda antiga. Isto porque antigamente as pessoas tocavam e depois gravavam. Hoje é o contrário.

selma3Foi uma bênção poder gravar e tocar ao vivo este disco. Agora é a concretização de um trabalho, de uma sonoridade, mas também a relação da música com o público.

Quero acreditar que este registo saiu no tempo certo.

Participou em vários festivais. Como descreve essas experiências?

Os concertos são uma espécie de montanha russa. As pessoas viajam por muitas emoções e eu sou uma pessoa muito contemplativa, gosto de esmiuçar os sentimentos. Mas sim, têm sido muito bons estes concertos. Recordo-me que, quando estive na Casa da Música, houve um senhor, mais velho, que chorou. Tinha estado em Moçambique.

Com efeito, trago muita espiritualidade do gospel para o palco. O concerto no Bons Sons foi mesmo muito especial, com muita entrega do público.

O que acha do público portuense?

No Porto, em particular, caracterizo como um público atento, crítico, mas muito caloroso.

Agora que estamos numa nova fase de apresentação do disco, pedi à minha agência que começássemos a nossa digressão pelo norte do país. Porque é um sítio onde o público é muito caloroso.

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