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Made in China, Mosteiro São Bento da Vitória

Made in China, Mosteiro São Bento da Vitória

Made in China
25 e 26 novembro, 21h, Mosteiro São Bento da Vitória

“Não tens népia virilidade nesse coiro, não? Nepes irmandade máscula para ires lá abaixo à esquina?” Pedro Frias retoma a sua bem-sucedida encenação do universo toxicamente masculino e marginal de “Made In China” (2001). Nesta primeira peça dialogada de Mark O’Rowe, estamos no espaço confinado de um apartamento mas a cidade ruge ao fundo. Somos atirados de cabeça numa profusão de falas entre três personagens que discutem a lealdade passada e presente às insígnias do seu “esquadrão”. Na “porra de um blusão escrito em chinês”, made in china, essa lealdade pode afinal revelar-se corrompida. A linguagem que O’Rowe põe na boca das suas personagens, “as caralhadas” que elas têm consciência de dizer a toda a hora porque são só essas as palavras a que têm acesso, é tão importante quanto os seus punhos. As personagens medem-se entre si por essa burlesca eloquência. E medem-se também pela obediência ou recusa de um sistema de regras. Na coreográfica luta final jogam uma parada de morte, tal qual como se estivessem num filme de karaté das suas cassetes vídeo favoritas. “Um gajo faz aquilo que lhe convém… desde que depois se aguente à bronca. ‘Tá certo ou não?”
de Mark O’Rowe | tradução Francisco Luís Parreira | encenação Pedro Frias | desenho de luz Nuno Meira | cenografia e figurinos Sissa Afonso | sonoplastia Francisco Leal | produção executiva Marta Lima | interpretação João Cravo Cardoso, Manuel Nabais, Pedro Quiroga Cardoso | produção ASSÉDIO | dur. aprox. 1:40 M/16 anos

Sarna
2 a 4 dezembro, segunda e terça 21h | quarta 19h, Mosteiro São Bento da Vitória

Howie Lee e Rookie Lee, as personagens de “Sarna”, de Mark O’Rowe, iguais na “Lee-nidade”, espelhos mútuos como o título original “Howie the Rookie” (1999) sugere, regressam na encenação de João Cardoso depois do sucesso de apresentações anteriores. O título “Sarna” revela-se feliz porque não só refere o núcleo metafórico desta peça, aquela que revelou O’Rowe, como sugere um contágio que se propaga pelas suas personagens e que as reúne sob um efeito de irmandade ou família. De certa forma, é também para a família, de sangue ou de gang, para a sua desagregação e violência, que as suas peças apontam. Os monólogos de “Sarna” dão-nos dois pontos de vista de uma mesma história, trágica e comovente, contada numa linguagem de autor, também ela contaminada, fora de qualquer convenção. E tão contagiada pelo jargão da rua, pela sua escatologia e misoginia, como pela poesia, literatura ou cinema. Ninguém fala como as suas personagens e o exercício muscular da linguagem é aqui posto a nu pelo virtuosismo de um só ator num espaço minimal. Somos testemunhas, confidentes e depositários das suas memórias, neste épico de bolso, marginal e sublime. “Isto agora é até ao tutano.”
de Mark O’Rowe | tradução Francisco Luís Parreira | encenação João Cardoso | espaço cénico e figurinos Sissa Afonso | desenho de luz Filipe Pinheiro | banda sonora Francisco Leal | produção executiva Marta Lima | interpretação Pedro Frias | produção ASSÉDIO | dur. aprox. 1:45 M/16 anos

Mosteiro São Bento da Vitória
R. de São Bento da Vitória 45, 4050-542 Porto

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