Pingo Doce

Lusitania Comedy Club explica “O Porquê da Coisa”

Lusitania Comedy Club explica “O Porquê da Coisa”

A História de Portugal reescrita por um homem que mordeu um cão, outro que acha que faltam sempre 5 para a meia-noite e outro que já foi o último a sair… O resultado? “Uma reflexão perfeitamente inútil sobre a magnífica História de Portugal”. Onde? No palco do Teatro Sá da Bandeira, no Porto, esta sexta-feira e sábado (21h30).

História de Portugal: séculos de História, agora concentrados… numa comédia musical que se propõe explicar a todos… O Porquê da Coisa!

Escrita por Nuno Markl (o tal d’O Homem Que Mordeu o Cão), Francisco Martiniano Palma (quem tem créditos no 5 Para a Meia Noite) e Frederico Pombares (O Último a Sair), com canções originais de JJ Galvão, a peça apresenta-se como “uma reflexão perfeitamente inútil” sobre os grandes factos, acontecimentos e personalidades que marcaram o país desde a sua fundação. A viagem no tempo é desencadeada ao balcão de um bar chamado “Viriatu’s”, numa conversa entre o jovem Tomé e o “barman” Sebastião…

Pronto para um serão “divertido, algures entre a sátira e o disparate total e completo”? Nuno Markl diz que tem sido sempre uma “valente festa”…

“O Porquê da Coisa” é o primeiro projeto da Lusitânia Comedy Club. Como surgiu esta ideia?
Isto tem muito de comida caseira. A Lemon desafiou o Johnny Galvão – que não só é um grande produtor e compositor, como é o avô do meu filho – a trabalhar numa comédia musical; o Johnny desafiou-me para desenvolver uma ideia que falasse dos portugueses, e da necessidade urgente de conseguirmos rir-nos de nós próprios. Eu recrutei dois colegas de escrita de quem gosto muito, profissional e pessoalmente, o Francisco Martiniano Palma, com quem trabalhei em coisas como Os Contemporâneos, e o Frederico Pombares, com quem ainda não tinha trabalhado, mas de cujo trabalho eu era grande admirador – basta pensar no Último a Sair, que ele criou com o Bruno Nogueira e o João Quadros. Metemos mãos à obra.

O espetáculo promete uma “uma reflexão perfeitamente inútil sobre a magnífica História de Portugal”. Porquê? Que história conta, afinal, esta comédia?
Tínhamos a ideia de fazer uma viagem pela História de Portugal, partindo da tese “já que hoje em dia toda a gente se ofende com piadas, será que foram piadas que provocaram os grandes acontecimentos e confrontos da História?”. Para sublinhar a ideia, decidimos que teria piada defender ainda a tese louca de que todos os maiores acontecimentos da epopeia lusa foram decididos num bar de comédia fundado no tempo de Viriato. Então temos um comediante de stand-up de hoje a ser levado numa viagem no tempo pelo barman do estabelecimento – e que desde logo descobriremos que se trata de D. Sebastião, conservado no nevoeiro durante séculos e capaz de o usar como máquina do tempo. É tudo bastante louco, e é por isso que digo que esta peça é a filha de uma noite louca de desvario entre Os Lusíadas e Regresso ao Futuro.

Vai ser uma noite de muitas e boas gargalhadas, presumo…
Já a levámos à cena várias vezes e tem sido uma valente festa.

Qual é a mensagem principal?
A mensagem principal acaba por ser bem resumida nos versos da primeira canção que o Johnny compôs para o espetáculo, O Fado do Melindre: “Não te leves tão a sério, que ainda vais parar ao cemitério”. Eu acho que rirmo-nos da nossa portugalidade não tem nada de herético ou anti-patriótico. Pelo contrário, defendo que não há nada mais patriota do que sabermos rir-nos de nós enquanto país.

Regressa ao Porto, concretamente ao Teatro Sá da Bandeira, dias 28 e 29 de junho. O que é que o público pode esperar deste espetáculo?
Uma versão concentrada e alucinante da História de Portugal que eu não aconselharia que estudantes usassem como base para estudar para os exames. Mas, acima de tudo, um serão divertido, algures entre a sátira e o disparate total e completo.

E porque é que não o pode perder?
Entre outras coisas, porque temos um elenco magnífico e que merece todas as homenagens: a Mafalda Santos, o Carlos Pereira, o Gustavo Vargas, o André Pardal, a Ana Freitas, o Luis Oliveira e o João Guimarães interpretam para cima de 80 figuras históricas, por vezes com mudas de roupa e adereços dignos de recordes do Guinness. É uma odisseia louca, veloz e extenuante, para eles – mas vê-los criar tantas personagens diferentes é uma parte considerável do gozo que isto dá.

A peça sofreu alguns retoques na encenação, o que vai tornar o espetáculo numa nova experiência, mesmo para quem já o viu da primeira vez. Estão preparadas mais surpresas?
Um espetáculo de comédia tende a ser um eterno “work in progress”, à medida que vamos vendo onde é o que o público ri mais e menos. Fizemos algumas afinações, trocámos pedaços de texto por texto novo e estamos contentes com as remixes que fizemos.

Os textos são assinados por Nuno Markl, Francisco Martiniano Palma e Frederico Pombares. Como é que “montaram” esta peça?
Em longas tardes na minha casa, em que nos fizemos rir muito uns aos outros. É por isso que adoro trabalhar em grupo. Em comédia é importante termos logo público para as piadas de cada um de nós, ainda no momento em que estamos a construir as piadas.

Onde foram buscar a inspiração?
A ideia de abraçar a História de Portugal assustava-nos, no início, e pensámos que método de trabalho deveríamos seguir: consultar os calhamaços dos lendários José Mattoso e José Hermano Saraiva? Como estávamos a trabalhar no domínio da comédia, pareceu-nos interessante que a primeira piada do espetáculo fosse logo o nosso método de trabalho: descobrimos na Internet um trabalho de um grupo de alunos de uma escola secundária com uma estrutura que nos pareceu ótima para o nosso show. Confiámos mais neles do que nos grandes historiadores!

É um espetáculo que permite, de facto, estudar a História de Portugal?
Eu diria que convém ter estudado a História de Portugal previamente, para tirar o devido partido do espetáculo. Não é preciso um estudo aturado: basta lembrarmo-nos do que a escola nos deixou cá dentro. De resto, estamos a reinterpretar e a reimaginar a nossa História. Como disse atrás, talvez não seja aconselhável usar o nosso show para estudar para os exames!

E é importante, tal como a premissa do espetáculo sugere, refletir sobre a nossa história, de uma forma cómica?
A nossa História é como que um pretexto. A nossa ideia é refletir sobre a nossa natureza enquanto portugueses, a seriedade com que às vezes nos levamos, o nosso espírito de desenrascanço, a burocracia… É brincar com tudo isso.

Este é o primeiro projeto da Lusitânia Comedy Club. Já estão a pensar no próximo?
Temos algumas ideias, sim. Tudo muito no começo!

Que novidades podem, já, ser adiantadas?
Digamos que estamos a planear vôos mais largos: continuaremos a brincar com o que é ser português, mas deixando a História de Portugal e voando até um episódio mais universal.

Viva! no Instagram. Siga-nos.