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Maria Cerqueira Gomes

Maria Cerqueira Gomes
Genuíno sorriso portuense

Apaixonada pela vida, gosta de “pôr os pontos nos i’s”, de sinceridade, de comer e de comunicar. No Porto Canal desde o início do projeto televisivo, Maria Cerqueira Gomes conduz as “Grandes Manhãs” e as “Grandes Conversas”, conjugando espontaneidade, seriedade e muita, muita vontade de evoluir.

Sentada, descontraidamente, com o pé apoiado no banco e as mãos sobre os joelhos, diz o que tem a dizer, muitas vezes ao som de divertidas gargalhadas, e não hesita em levantar-se – de um salto só – para encenar ali mesmo o episódio que está a contar. Talvez seja por isso que Maria Cerqueira Gomes, rosto bem conhecido do Porto Canal, não tem dúvidas quanto à natureza da sua personalidade: é o sangue de uma “rapariga do norte” que lhe corre nas veias. “Há características minhas que fazem com que isto seja muito fácil de identificar”, constatou. “Sou muito descontraída em determinadas situações – se calhar até de mais! – muito genuína, gosto de ‘pôr os pontos nos i’s’ e não gosto que as coisas fiquem por dizer”, descreveu a apresentadora de televisão, de 31 anos, frisando ainda que acredita profundamente nos valores do trabalho, do empenho e da transparência. Além disso, sente que tem facilidade em ‘chegar’ às pessoas. “É uma capacidade que eu tenho mas que também trabalho. Numa altura em que andamos tão desligados parece-me importante desenvolver um pouco esse lado”, defendeu. De resto, o segredo parece ser apenas um: a espontaneidade com que gosta de encarar a vida.

A cozinha da avó Dulce e as aventuras em Inglaterra
Natural da Foz – zona que, aliás, adora e onde continua a viver – a atual apresentadora dos programas “Grandes Manhãs” e “Grandes Conversas” considera que existem determinados aspetos que talvez a diferenciem um pouco daqueles com que habitualmente convive. “Se há características que me identificam enquanto pessoa do Porto, há outras que me distinguem claramente das pessoas da Foz”, frisou, explicando, entre gargalhadas, que nem sempre segue “as regras”. E é com boa disposição que associa este seu lado mais rebelde e a coragem de arriscar a momentos vividos na infância, que não consegue descrever sem recordar a magia da cozinha da avó, onde desenvolveu o gostinho por cozinhar – “e comer!”. “Passava horas na cozinha da minha avó Dulce. Ia lá para casa quando saía da escola e dormia lá todas as semanas”, contou, lembrando, com saudade, rituais “tão simples” como o de rapar as taças onde se preparava a massa dos bolos e o de comer “os cantinhos”, aparados pela avó, quando a obra-prima saía do forno. “Por acaso a minha mãe cozinha e, por isso, a minha filha também tem algo disso, mas, hoje em dia, são raríssimas as crianças que têm a oportunidade de viver estes momentos”, notou, com a expressão de quem ainda hoje sente os cheiros e sabores do passado.
Durante o seu percurso escolar, a portuense passou pela creche de Nevogilde, pelos colégios Flori e Horizonte, pelo Torrinha e pelo Garcia, mas também chegou a ter aulas em Inglaterra, onde passou algumas temporadas, a primeira delas com apenas dez anos. “Foi na altura em que os meus pais se separaram e eu era mesmo pequenina! A minha filha tem 11 anos e eu ainda questiono como é que o meu pai me conseguiu enviar assim”, referiu, reconhecendo, contudo, que foi das experiências que mais marcou a sua “forma de estar na vida”. “Ajudou-me a saber estar completamente fora do meu ambiente. Tinha dez anos, andava há três no Instituto de Inglês, é certo, mas estava numa família onde não conhecia ninguém, com outras crianças de diferentes nacionalidades e isso fez-me crescer muito”, garantiu, acrescentando que essa foi a primeira de uma mão cheia de aventuras que acabou por viver em Inglaterra.
O “desconforto inicial” sentido nessas viagens – sublinhou – foi fundamental para que, hoje, consiga encarar situações incómodas com alguma naturalidade. “Sofro com antecedência, mas quando chega aquele momento em que sei que não posso falhar fico mesmo calma e não hesito”, garantiu.

As passerelles, a experiência em direito e a estreia em tv
Entretanto, em 1998/99, estreou-se no mundo da moda que, apesar de lhe ter proporcionado alguns instantes divertidos, “não é, de todo”, a sua praia. Integrou o Elite Model Look (maior concurso internacional de modelos, realizado desde 1983 pela agência Elite Model Management), esteve ligada à Elite e, depois, à Best Models. “Deu-me jeito, ganhei uns trocos, mas foi só isso”, afirmou, recordando com especial carinho a oportunidade de desfilar no Portugal Fashion para o estilista Miguel Vieira, com quem mantém, atualmente, uma grande amizade. Terminado o ensino secundário, a jovem portuense (que pertence a uma família de advogados) iniciou o curso de Direito e, aos 19 anos, engravidou. “Fiz o primeiro ano, tive a Francisca e andava assim meia perdida”, contou, acrescentando que, sendo uma “rapariga que adora comunicar”, nunca chegou a descartar a hipótese de construir um percurso ligado à comunicação. E assim foi. Inscreveu-se no IPAM – The Marketing School e começou a trabalhar no jornal Record para pagar a licenciatura em Gestão de Marketing.
“O meu pai pagou-me o primeiro ano de Direito e disse-me ‘agora não te vou pagar mais nada enquanto não me provares qual é o curso que realmente queres’”, explicou Maria, acrescentando que os dois primeiros semestres em Marketing foram suficientes para convencê-lo de que estava efetivamente na área certa.
Ainda durante o curso decidiu fazer um casting para o Porto Canal e, seis meses depois, embarcou na aventura do “Porto de Abrigo”, programa no qual ia conhecer instituições de solidariedade social do norte. “Aí reparei que, de facto, vivia numa redoma. Apesar de não ter feito as coisas certinhas, apercebi-me de que existiam vidas realmente complicadas”, frisou, recordando que, muitas vezes, ao chegar a casa, sentia necessidade de ligar à melhor amiga para partilhar as histórias com que era confrontada e que “foram importantes” para o seu crescimento como pessoa. Aliás, ainda hoje há quem lhe chame “solidary Mary”, tal foi o empenho com que ‘abraçou’ o projeto, durante um ano. A ligação ao Porto Canal, essa, nunca mais foi quebrada.
Em 2007, acabou por ser desafiada a conduzir um programa em direto, ao final da tarde, e estavam lançadas as bases do “Porto Alive”, que Maria Cerqueira Gomes só deixou de apresentar há cerca de seis meses. “Lá fui eu! Não fazia ideia do que era um direto, por isso, olha, comecei a falar. O primeiro convidado foi o Manuel Serrão, o que foi bastante positivo porque ele ajuda muito”, realçou. “Estive seis anos a fazer o ‘Porto Alive’, todos os dias. Foram horas e horas de entrevista. Nem consigo contabilizar, mas gostava de saber quantas horas passei, em direto, naquele programa”, afirmou, de sorriso estampado no rosto. Neste momento, Maria Cerqueira Gomes tem em mãos outros dois desafios: faz dupla com Ricardo Couto nas “Grandes Manhãs”, explorando diariamente a sua vertente mais espontânea e descontraída, e conduz as “Grandes Conversas” (transmitidas às quartas-feiras à noite), onde revela o seu “lado mais certinho e direitinho, que ainda existe!”. “São duas Marias reais, não faço papel em nenhuma delas”, garantiu.

“Não gosto de bonecos muito estudados em televisão”
Ligada ao Porto Canal desde o início do projeto televisivo, Maria confessa que, em direto, já lhe aconteceu “um pouco de tudo”. “Um dia, no Porto Alive, uma convidada desmaiou”, contou, frisando que a senhora acabou por ser levada, em braços, para o hospital. Mesmo em situações de nervosismo, a apresentadora afirma conseguir manter a calma necessária a contornar a situação. “Sou tão descontraída que acho que não há nada que me possa apanhar muito desprevenida. E se me dá uma ‘branca’ ainda sou capaz de perguntar à produção o que é que eu ia dizer”, referiu, bem-disposta. “Acredito muito na televisão feita de forma espontânea. Acho que as pessoas lá em casa se divertem muito mais e acreditam mais naquilo que estamos a dizer e a fazer se perceberem que eu sou uma pessoa real”, constatou, referindo que, se no programa da manhã consegue privilegiar a espontaneidade – contando sempre com o “rigor” do Ricardo ‘Google Couto’, como chama ao colega e amigo – nas “Grandes Conversas” sabe que “as coisas têm de ser mais sérias e investigadas”.
A apresentadora mantém, por isso, bem presente aquilo que não gosta de ver no grande ecrã. “Não gosto de bonecos muito estudados em televisão. Acho que as pessoas também não gostam e que, mais dia ou menos dia, aquilo cai”, referiu. “E é por isso que eu vejo mal, não uso lentes e, apesar de saber que há programas em que é preciso teleponto – até nos dá um ar muito mais inteligente! – nunca uso porque irrita-me ver pessoas que estão ali apenas a lê-lo”, sustentou. De resto, é com satisfação que afirma já sentir o carinho do público em relação ao Porto Canal, que considera “um caso raríssimo da forma como se faz televisão” no país.

“Saem verdadeiras ‘delícias’ da boca dos portuenses”
Adepta das idas a Serralves e dos momentos de relaxamento vividos no Passeio Alegre, na Avenida Brasil (onde anda muitas vezes de bicicleta com a filha) e no Parque da Cidade, mesmo ao lado de casa, é com entusiasmo que Maria Cerqueira Gomes visita cada vez mais vezes a baixa portuense, zona que considera “confortável”.
Os portuenses, esses, “são espetaculares”. “Não há outra cidade no país tão espetacular para se andar num transporte público porque saem verdadeiras delícias da boca das pessoas”, garantiu, assegurando que, muitas vezes, prefere “ouvir aquelas bojardas, que têm tanta graça”, do que lidar com pessoas altivas. Para a apresentadora, o Porto tem a vantagem de conseguir conciliar características de uma aldeia – “aquela proximidade do vizinho” – com as de uma grande cidade. “Mas temos oportunidade de ser muito mais”, notou. “Temos as características naturais necessárias, monumentos incríveis, um rio que faz inveja a muita gente, bares de praia que outros locais não têm, somos considerados um destino europeu e começamos agora a dar importantes passos, mas podemos ser mais divulgados”, sublinhou, reconhecendo ainda que a evolução cultural portuense tem sido visível. É por isso que, apesar de estar consciente de que “já não existem empregos para a vida”, podendo, assim, vir a ter de mudar de cidade por motivos profissionais, prefere viver o Porto sem grandes preocupações.
Organização e qualidade de vida são dois dos ingredientes sempre presentes no seu dia a dia. “Não me posso queixar muito!”, referiu, entre gargalhadas, assumindo valorizar os pequenos momentos de tranquilidade. “Tomo sempre o pequeno-almoço sentada. Quantas pessoas podem fazê-lo?”, questionou, contando que chega ao canal às 9h00, permanecendo em direto das 10h00 às 13h00. Da parte da tarde prepara os temas para a manhã seguinte e faz desporto, conciliando, obviamente, os seus afazeres com as rotinas da Francisca, sua “maior crítica”. “Às vezes saio do programa e tenho uma mensagem a dizer: ‘mãe, por favor, não cantes!’”, confessou, sublinhando que a filha adora acompanhá-la ao Porto Canal e estar nos estúdios.
Viajar é outra das grandes paixões da portuense, que já esteve em África, na Ásia e nas Américas. Numa das suas últimas aventuras foi conhecer o Dubai, que, aliás, achou “horrível”, “sem alma nenhuma”. Ainda assim, apaixonou-se pela Tailândia, assegurando que Banguecoque é surpreendente. “Se passares lá cinco dias, é certo que estarás cinco dias de boca aberta”, garantiu, afirmando ter adorado a comida tailandesa. “Claro, do que é que eu não gosto?”, brincou.
Apesar de, nessa ocasião, ter viajado sem a Francisca, “dar-lhe a conhecer o mundo” é um dos maiores objetivos de Maria. “É das grandes heranças que lhe posso deixar. Tive a sorte de o meu pai fazer isso comigo e tenho feito um esforço para levar a minha filha a conhecer vários locais”, realçou, acrescentando que a menina já visitou, por exemplo, Moçambique e África do Sul. “Um mês depois dessa viagem ela viu um sem-abrigo a mexer no lixo e disse-me: ‘mãe, a única vez que eu tinha visto isto foi em África e agora estou a ver aqui’. Começou a associar estas realidades e acho que lhe fez bem”, frisou.
Questionada em relação ao futuro, a apresentadora, apaixonada “pela vida” – e pelo FC Porto, do qual é sócia desde que nasceu – é perentória. “Quero continuar a fazer televisão, que é das coisas que mais prazer me dá”, reconheceu, assumindo que “não há nada melhor” do que ter a capacidade de “estar sempre a aprender”.

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