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Não deixe que as alergias dominem a sua primavera

Não deixe que as alergias dominem a sua primavera

Com a primavera chegam as alergias ao pólen, caracterizadas por rinite alérgica ou febre dos fenos, espirros, olhos vermelhos e outros sintomas. A médica Helena Pité explica como se diagnosticam e tratam.

Nariz a pingar, comichão, tosse seca, olhos vermelhos e lacrimejantes, espirros e até ataques de asma. Estes são apenas alguns dos sintomas mais frequentes das alergias que se manifestam em força com a chegada da primavera. Isto faz com que uma das estações mais bonitas do ano não possa ser devidamente aproveitada por quem sofre com esta situação, acabando por afetar o rendimento escolar e laboral de quem delas padece – sim, porque “as alergias não escolhem idades”, explica a imunoalergologista Helena Pité, especialista no Centro de Alergia da CUF Descobertas e CUF Infante Santo, em Lisboa.

Mas o que é que desencadeia, afinal, uma reação alérgica e qual a ligação à primavera? De acordo com Helena Pité, “as alergias são respostas exageradas do nosso organismo ao ambiente que nos rodeia”. Ou seja, “uma pessoa com alergias tem um excesso de defesas e está a lutar contra algo que à partida devia tolerar”. É o caso dos pólenes, cuja concentração na atmosfera é muito elevada nesta altura do ano e em relação aos quais alguns sistemas imunitários reagem de forma excessiva: “São pólenes muito pequenos, invisíveis aos olhos, facilmente transportados pelo vento e que conseguem penetrar nas vias aéreas, provocando muitas queixas.” As piores alturas para quem tem alergias verificam-se “durante os dias quentes e secos, sobretudo se forem ventosos”, salienta, sendo que “durante a primavera é quando a concentração polínica é mais elevada”. Mas também durante o outouno as alergias sazonais se fazem sentir, ainda que existam pólenes no ar e alergias ao longo de todo o ano.

Queixas pioram na cidade

Embora existam pólenes e pessoas com alergia em todo o lado, a médica refere que é nos grandes centros urbanos que as queixas são mais intensas. Isto porque “a poluição das cidades torna os pólenes mais agressivos, para que os próprios se defendam da poluição. Mas ao ficarem mais agressivos vão expressar mais proteínas, o que ainda os vai tornar mais alergénicos”. Além disso, “a própria poluição automóvel, por exemplo, também é só por si uma agressão, o que pode fazer aumentar muito as queixas”. Porém, quer a pessoa viva no campo ou na cidade, “se apresenta queixas, deve procurar ajuda”, chama a atenção.

Várias manifestações, muitos sintomas

A reação aos pólenes – que são os principais responsáveis pelas alergias da primavera – pode manifestar-se de diversas formas, pelo que importa prestar atenção aos sintomas:

Rinite alérgica – Fala-se de rinite sobretudo quando há inflamação da mucosa nasal, o que se manifesta por nariz entupido ou a pingar, comichão nasal e espirros. Quando esta inflamação é recorrente ou sazonal, o mais provável é que seja uma rinite alérgica. Segundo a imunoalergologista, a rinite é muito comum, afetando uma em cada três pessoas em Portugal, entre crianças, adultos e idosos, com particular destaque para os mais pequenos.

Conjuntivite alérgica – Muito comuns nesta altura do ano são também os sintomas oculares como comichão, vermelhidão, lacrimejar ou sensação de corpo estranho nos olhos. Mais de metade das pessoas com rinite também tem conjuntivite alérgica.

Asma – Quem tem asma poderá estar mais sensível na altura da primavera, sendo que esta doença se manifesta por tosse, pieira, falta de ar, cansaço ou sensação de peso no peito. A médica sublinha que “a asma pode aparecer pela primeira vez em qualquer idade” e afeta cerca de 10% da população portuguesa.

Queixas dermatológicas – A dermatite atópica, que também atinge cerca de 10% da nossa população, “pode agravar nesta altura do ano por exposição aos alergénios” e manifesta-se por comichão, pele vermelha, descamativa e seca. Existe também a possibilidade de urticária, que se revela através de “babas vermelhas que dão bastante comichão e episódios de inchaço”.

Hereditariedade e estilo de vida

Ainda que as alergias possam afetar pessoas de todas as idades, há quem apresente maior probabilidade de as vir a desenvolver. Com efeito, a hereditariedade tem algum peso nesta questão e “se uma criança tiver os dois pais com doença alérgica apresenta uma probabilidade de desenvolver doença alérgica de mais de 50%”.

Mas se na questão genética não é possível interferir, já no estilo de vida não é bem assim: “Hoje ouve-se falar muito mais de alergias do que há umas décadas, e de facto existem mais alergias neste momento, o que é justificado com o nosso estilo de vida, que mudou muito.” Com efeito, “passa-se hoje mais tempo em ambientes fechados, somos mais sedentários e estamos expostos a ambientes mais poluídos e ao tabaco, além de que a alimentação mudou com a introdução da fast food”. Junte-se a isto “um uso inadequado de antibióticos e um abuso de anti-inflamatórios” e temos a chave para o número de pessoas alérgicas que não para de aumentar em todo o mundo.

Como evitar as alergias?

“Evitar aquilo que desencadeia as alergias e não esquecer o que as agrava” é uma das melhores formas de prevenir este problema de saúde, nas palavras de Helena Pité. Tal passa “não só por diminuir a exposição às substâncias que causam alergia, mas também reduzir a exposição a poluentes, ao tabaco e diminuir as infeções, porque são fatores que podem agravar a doença alérgica”.

Entre os muitos pólenes que andam no ar na primavera, os que causam mais alergias são os de ervas como as gramíneas (feno) e a parietária (alfavaca-de-cobra), e de árvores nas quais se destaca o pólen da flor da oliveira. Para ajudar quem sofre deste problema, a médica recomenda que consulte o Boletim Polínico disponível no site da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, em que são indicadas as concentrações polínicas de cada zona do país, o que permite planear viagens e adequar estratégias de prevenção, por exemplo.

Tratar bem, prevenir melhor

O que também ajuda a prevenir as alergias com grande eficácia é o seu correto tratamento. Helena Pité salienta que “as alergias não têm cura, mas podem e devem ser controladas”, acrescentando que “a evolução foi significativa nos últimos tempos neste domínio”. Ainda assim, “o mais importante de tudo é diagnosticar o mais cedo possível”, diz, lamentando as muitas pessoas que “passam anos com a doença sem serem diagnosticadas”.

Entre os tratamentos disponíveis, aponta os anti-histamínicos de segunda geração, que “são medicamentos muito seguros e eficazes, que não causam sono, problemas cardíacos ou aumento de peso”. Pode haver também necessidade de associar anti-inflamatórios “e nesse caso procura-se sempre que sejam tratamentos locais”, isto é, sprays nasais ou medicação inalada, os quais são também “muito seguros e que podem e devem ser usados a longo prazo de acordo com cada caso”.

Disponíveis estão ainda as vacinas antialérgicas, que funcionam “como um complemento aos outros tratamentos, ou seja, não são usadas de forma isolada, muito menos no início, porque inicialmente é necessário controlar os sintomas e as vacinas são um tratamento de longa duração”. De realçar que estas vacinas são individualizadas, isto é, são concebidas para cada pessoa, tendo em conta as suas alergias específicas. Como tal, “é preciso um diagnóstico muito preciso de quais são exatamente os agentes a que fazem alergia”, pelo que devem ser prescritas e monitorizadas por um imunoalergologista.

Como se diagnostica?

O diagnóstico da doença alérgica é sobretudo clínico, ou seja, é feito pelo médico de acordo com a história clínica que a pessoa apresenta e com o exame objetivo durante a consulta. Mas para identificar os alergénios em causa recorre-se aos testes cutâneos – exame muito simples que consiste na colocação de gotas de cada alergénio na pele, com uma muito ligeira picada, para verificar se há, ou não, reação. “Isso vai ajudar na determinação das medidas de prevenção específicas, bem como na possibilidade de se fazer um tratamento individualizado com as vacinas antialérgicas”, esclarece. Poder-se-á ainda recorrer a análises sanguíneas em alternativa ou como complemento aos testes cutâneos.

A terminar, realça a importância de se reconhecer os sintomas que se repetem ou persistem e consultar um clínico para esclarecer todas as dúvidas. O médico de família ou o pediatra podem ajudar muito e o imunoalergologista é o especialista nestas doenças. “Assim, será possível fazer o mais importante, que é um diagnóstico correto e atempado e começar um tratamento de prevenção com medicamentos se necessário e evitar as complicações destas doenças e todos os sintomas, não deixando que as alergias nos controlem e devolvendo qualidade de vida a todos, dos netos aos avós”, sintetiza.

(AdvanceCare)

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