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O medo é um vírus

O medo é um vírus

O medo é mais perigoso do que qualquer vírus, porque nos impede de responder à doença com inteligência e eficácia. Perante o desconhecido, a psicose do contágio torna-se mais epidémica e mesmo aterrorizante do que a própria doença. O medo paralisa a ação. O vírus do medo é o que mais depressa circula e o que mais nos afeta. Provoca o pânico que, de per si, é altamente contagioso. No entanto seria absurdo minimizar a ameaça da Covid-19 com a alegação de que a “vulgar” gripe mata centenas de milhares de pessoas por ano, o que é verdade. Mas a Covid-19 não é mais uma gripe, mas também não é a peste.

A diferença é crucial. A gripe mata, mas é um velho conhecido e dispomos de vacinas. Ao contrário, ainda pouco sabemos da Covid-19. E, perante o desconhecido, a psicose do contágio torna-se mais epidémica do que a própria doença. Um dos fatores que leva do medo ao pânico é a diferente perceção do risco, entre risco aparente e risco real.

A mais mortífera pandemia da História terá sido a pneumónica, ou gripe espanhola, de 1918-19, com dezenas de milhões de mortos. A gripe asiática afetou todo o mundo em 1957, fazendo dois milhões de mortos. A SARS, em 2002-2003, foi anunciada como apocalíptica mas vitimou pouco mais de 700 pessoas. A atual Covid-19 contagia mais depressa do que a SARS, mas tem menor taxa de mortalidade. Em princípio, o mundo depressa aprenderá a lidar com ela. É bom que os europeus, e especialmente nós os portugueses,  percebam que têm sistemas sanitários aptos para enfrentar a doença que, com o tempo, se tornará “banal”. E que o pânico será o maior inimigo do bom funcionamento do sistema de saúde.


É normal a ansiedade das pessoas com o risco de contágio. Elas precisam de saber o que fazer e as precauções a tomar. E precisam de informação credível, de uma boa informação, de um adequado jornalismo, que infelizmente tem falhado por apostar no catrastofismo, em manchetes e “sound bytes”, e que afaste a suspeita de que se omitem os factos. A “pandemia” de notícias sobre o tema aumenta a ansiedade e inibe o raciocínio. O maior risco é sempre o “contágio emotivo” que provoca intolerância e comportamentos de insegurança.

José Alberto Magalhães
(Diretor de Informação)

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