Pingo Doce

Prana

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“É essa mistura de influências que desagua em Prana”

Começaram o seu percurso de forma descontraída, ‘curtindo’, sem grande preocupação. Os álbuns foram nascendo, solidificando o sucesso, baseado num espírito crítico perante o que os rodeia. Fomos descobrir um pouco mais desta primeira década de vida dos Prana, que têm concerto marcado no Passos Manuel, esta sexta-feira, dia 7 de dezembro.

Um ambiente relaxado nas noites de verão, num jardim entre guitarras e amigos. É assim que podemos definir o primeiro capítulo dos Prana. Depois seguiu-se, naturalmente, a sala de ensaios, tendo em mente a composição de temas originais.

“O João e o Miguel eram colegas de escola e por vezes juntavam-se para tocar e curtir sem grande preocupação; com o tempo foram conhecendo outras pessoas, até me conhecerem, e na altura consegui um espaço para ensaiarmos e começamos a fazer as primeiras brincadeiras”, começou por revelar à VIVA! Diogo Leite, baterista.

prana1Os Prana caracterizam-se por um misto de géneros, mas também de emoções e momentos. “Nunca nos foi fácil definir-nos e também nunca foi grande preocupação. Tocamos e gravamos sempre o que nos apetece, sem restrições. Acho que o rock é a espinha dorsal – até pelas nossas influências mais antigas – mas sempre com particular atenção à melodia e à mensagem que queremos passar. E em matéria de sonoridade também nos deixamos influenciar por muito do que ouvimos agora, quer seja pop, indie, folk, jazz, eletrónica…”, disse-nos Miguel Lestre (vocalista, baixista).

As influências são “muitas e diversas”, como nos descreveu João Ferreira (guitarrista/teclados). “Desde clássico, gipsy, metal, ópera, rock, etc. E ainda que gostemos de coisas diferentes, gostamos de acreditar que é essa mistura de influências que desagua em Prana”, sublinhou.

prana3Em termos de processo de escrita de canções, o processo é natural. “Normalmente partimos da ideia de alguém ou de uma qualquer parte que saia numa jam. Começamos a trabalhar e a estruturar o tema enquanto vou tentando decidir sobre o que quero escrever. Algumas frases que saem durante o processo de composição acabam por ficar na versão final, mas deixo sempre que a música dite sobre o que vou escrever. É mesmo raro a música nascer a partir de uma letra já feita”, explicou Miguel Lestre.

“Além disso, nunca nos preocupamos muito com o género ou estrutura da música que vai saindo. Quando termino a letra, adaptamos algumas partes, se for necessário, e tratamos do resto do arranjo”, acrescentou.

prana4O materialismo, e as suas consequências, poderá ser a frase chave do trabalho “Ser Nenhum”, perguntamos a certo ponto. Miguel Lestre diria que é uma delas: “o ‘Vaso Chinês’ aborda o tema. Mas acima de tudo, ‘Ser Nenhum’ fala de diversas fragilidades da condição humana como a abuso de poder, dependência emocional, depressão. Foi sempre uma tendência nossa contrastar temáticas pesadas com uma sonoridade mais vibrante”.

No que ao futuro diz respeito, “estamos a preparar o próximo ano de concertos. Estamos também, paralelamente, a trabalhar num quarto trabalho – cujo formato de apresentação está ainda por decidir – e a avançar com mais convites e desafios do Prana Convida. O último que lançámos foi precisamente uma remodelação do nosso último single, ‘Vaso Chinês’, com a Surma”, rematou Diogo Leite.

Porquê Prana?

“Na altura, eu e um outro membro que já não está na formação éramos instrutores de Yôga e no momento em quando estávamos à procura do nome perfeito, gostamos da palavra ‘PRANA’, pelo forte significado que ela tem…”

Prana é o “nome genérico que se dá a qualquer forma de energia manifestada biologicamente. Logo, calor e eletricidade são formas de prana, desde que manifestadas por um ser vivo”, explicou-nos Diogo Leite.

Balanços

10 anos após o começo formal, pedem-se balanços. “Sentimos que a cada degrau que subimos e à medida que evoluímos enquanto banda, ficamos firmemente lá. Desde 2008 lançámos um EP e três álbuns de originais e cada um destes trabalhos fez-nos crescer e chegar cada vez mais longe. Chegámos a uma fase em que percebemos que o que vamos fazer enquanto aqui andarmos é Música. E isso traduz-se no facto de estarmos constantemente a refazer arranjos de temas mais antigos, ou no Prana Convida, projeto em que convidamos malta do panorama musical – e não só – para dar as suas próprias cores a um qualquer tema nosso. Estamos também em constante mutação no que diz respeito aos instrumentos que tocamos. E é assim que vamos levar o ‘Ser Nenhum’ ao Porto”, disse-nos Miguel Lestre.

Locca_Faria_pranaO concerto no Porto e os portuenses

Neste concerto em plena cidade Invicta podem esperar “uma viagem por todos os nossos trabalhos do passado, sob a perspetiva de quem somos enquanto músicos, no presente. Festa, dança, selva, por aí”, revelou João Ferreira (guitarrista/teclados).

Para Miguel Lestre, “o Porto sempre foi dos melhores momentos das nossas tours. E talvez por sermos vizinhos sentimos uma estranha ligação e sinergia. Desde a apresentação do ‘Trapo’ no Hardclub, ou a apresentação ‘d’o Amor’ na Casa da Música, Queima ou mais recentemente a partilhar o palco com o José Cid nos Aliados na noite de São João, há qualquer coisa de familiar na forma como o Porto e as suas pessoas sentem a nossa música”.

Os Prana atuam no Passos esta sexta-feira, dia 7 de dezembro, às 22h.

O preço dos bilhetes pode variar entre 8€ e 10€, o último valor com o álbum “Ser Nenhum” incluído.

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