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Programa Aconchego

Programa Aconchego

“O objectivo geral é colmatar em simultâneo dois problemas do concelho: diminuir o sentimento de solidão e o isolamento dos seniores e proporcionar alojamento, a custo reduzido, a jovens estudantes do Ensino Superior, não residentes no Porto”, explicou à Viva um elemento da FPS. O programa conquistou a admiração da comunidade internacional, que lhe atribuiu o prémio “This is European Social Innovation”. Esta é uma distinção que reconhece ao programa Aconchego um carácter de inovação social sustentável. O prémio traduz-se numa “publicação pela Comissão Europeia sobre o programa e na participação no workshop ‘Disruptive Innovation’, a ter lugar no Social Innovation Park de Bilbao”.

Enquadrar os perfis

Para que o projecto pudesse andar sobre rodas foi necessária uma fase de preparação que mobilizou várias entidades. “Inicialmente foram identificados, através das juntas de freguesia da cidade do Porto, alguns seniores que viviam isolados”, salientou a Fundação Porto Social. Seguidamente, “foram visitados pela equipa técnica da FPS e sensibilizados para aderir ao programa.” O mesmo processo foi realizado junto dos estudantes universitários, através da FAP.

Depois de uma entrevista com os candidatos, na residência do sénior, estavam lançadas as bases para que as “duplas” funcionassem. Apesar dos 44 casos de sucesso, de acordo com a FPS, “as maiores dificuldades relacionam-se com a compatibilidade de perfis e com a adesão dos jovens estudantes a este tipo de programa”.

A troca de lições

Certo é que na casa de Maria José, de 87 anos, e Mafalda, de apenas 20, não se registaram problemas de maior. A jovem garantiu à Viva que a adaptação a esta nova vida foi muito boa. “Telefonei para a FPS, apresentei o meu perfil e, a partir daí, começou o processo de avaliação”, relatou Mafalda, que já só vê aspectos positivos no programa Aconchego. “Damo-nos muito bem, vemos os mesmos programas de televisão e vamos a espectáculos”, garantiu a estudante, a viver na Baixa do Porto.

Para Maria José, voltar a viver sozinha “seria difícil”. “Sinto que tenho companhia e afecto”, salientou, revelando, no entanto, uma preocupação constante com a jovem. “O aspecto menos positivo é, para mim, a preocupação com o bem-estar da estudante, mais no sentido de minimizar a falta que ela possa sentir por viver longe dos familiares”, afirmou Maria José, mostrando o compromisso que já sente em relação a Mafalda. De resto, o dia-a-dia destas companheiras é de grande alegria. “Cozinhamos juntas, vamos o cinema, a espectáculos e passeamos as duas”, contou Maria José.

E já há lições de vida aprendidas. Da experiência que está a ter na sua nova casa, Mafalda concluiu que “a solidão dói muito”. “E a vasta cultura da D. Maria José tem sido para mim uma aprendizagem”, acrescentou. Nas palavras da idosa, foi Mafalda quem lhe ensinou o conceito de partilha. “A partilha da casa e dos momentos do dia-a-dia” é a grande lição mencionada.

Os imprevistos

Num ou noutro caso, a alegria deu até lugar à gargalhada. E como os imprevistos acontecem, a Fundação Porto Social destacou à Viva uma situação digna de registo, que ocorreu na casa de uma das “duplas”. “Estava a senhora a preparar-se para o almoço e ouviu ruídos no andar de cima da casa. Achou estranho e pensando que eram ‘ladrões’ chamou a polícia. Quando a polícia chegou, percebeu que quem estava em casa a fazer ruídos era o jovem estudante que tinha integrado o Programa. Claro que a situação foi resolvida e terminou com grandes gargalhadas”, contou a FPS.

Mariana Albuquerque

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