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Serões animados no Rivoli

Serões animados no Rivoli

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Uma das particularidades da iniciativa é a total aposta na produção nacional. “Foi uma cedência [do Rivoli] feita pela Câmara Municipal do Porto entre os dias 1 e 20 de Fevereiro que nós aceitamos e, então, decidimos apoiar os artistas portugueses num programa dirigido a públicos distintos”, contou à Viva Mário Dorminsky, fundador do Fantasporto. O mesmo espaço vai, assim, servir de palco a concertos dos mais variados géneros. “Era impossível pensar que o mesmo público tivesse capacidade financeira para ir a todos os espectáculos, daí a diversidade de estilos”, acrescentou Dorminsky, referindo-se a concertos de fado, jazz, rock “de características várias” e ainda à música de intervenção de José Mário Branco.

Atrair o público ao Rivoli

A dinamização da noite da cidade do Porto é uma das metas da Cinema Novo neste projecto. “A cedência da câmara pretende ser uma forma de apoio à cidade e à construção de um programa de qualidade que chame público ao Rivoli, espaço até agora exclusivamente vocacionado para o musical”, declarou o fundador do Fantas.

“De alguma forma, este é um regresso àquilo que o Rivoli era antes de a “Todas ao Palco” tomar conta dele. Depois há outro aspecto que passa pela natural revitalização da baixa do Porto”, acrescentou o responsável.

Um programa repleto de estreias

A novidade foi uma das grandes apostas para estas “Noites do Rivoli”. “A nossa escolha tem a ver com o facto de cerca de 90% dos espectáculos serem inéditos no Porto ou a nível nacional, o que logicamente será atractivo”, notou Mário Dorminsky.

A marcar o início da programação está a banda de Adolfo Luxuria Canibal, com o espectáculo “Mão Morta no País do Fantástico”. Segue-se o concerto dos Mind da Gap, que no dia 4 apresentam, pela primeira vez no Porto, o seu quinto álbum de originais “A Essência”. No dia 5, o Rivoli recebe um espectáculo multimédia realizado pelos Teratron – projecto paralelo de João Nobre e Pedro Quaresma, dos Da Weasel.

Mas nem só de música se fazem as Noites do Rivoli. No dia 7 de Fevereiro, Herman José tem o papel principal num espectáculo “único, intimista, hilariante e que, com a capacidade de improviso do humorista, é sempre irrepetível”.

De registar também o novo espectáculo dos Moonspell – “Sombra”, que vem sublinhar, no dia 14, a riqueza melódica do metal e desmistificar a ideia redutora que muitas pessoas têm sobre este género musical.

Na noite de 18, José Mário Branco regressa às origens para um concerto introspectivo, centrado no seu mais recente tema “Resistir é Vencer”. Dois dias antes, Camané apresenta “Do Amor e dos Dias”, disco que a Blitz classificou como o melhor do ano de 2010.

Apreciar a cultura e apoiar a restauração

Sair é a palavra de ordem. “Ao longo dos 16 dias, e depois com o Fantasporto, a ideia é incentivar a que haja um regresso dos hábitos dos portuenses saírem à noite para utilizarem um espaço até agora desertificado, excepto aos fins-de-semana”, constatou Mário Dorminsky. Os serões do Rivoli funcionarão também como um apoio às áreas da restauração, “que começaram a fechar à noite e voltam a abrir durante este período”.

De acordo com o criador do Fantas, alguns dos espectáculos “estão a vender muito bem”. “O do Herman José, Teratron, Mafalda Veiga, Camané e Moonspell são alguns dos que estão no topo das vendas”, esclareceu. Ainda assim, Mário Dorminsky admite que este é “um período muito mau”. “É um mês muito complicado em que as pessoas começam a sentir os cortes salariais e aquilo que são os aumentos nos custos de vida”, afirmou, em declarações à Viva.

Porém, há sempre quem prefira perder o amor a uma quantia entre 10 e 25 euros (preço dos bilhetes para as Noites do Rivoli) e “refugiar-se na cultura em geral para se afastar um pouco da realidade”. A prová-lo estão os musicais que conseguem salas cheias, mencionou Dorminsky. “Isso leva-nos a crer que possa haver uma adesão significativa de público”, concluiu.

Mariana Albuquerque

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