Pingo Doce

Alma Nómada, Teatro Carlos Alberto

Alma Nómada, Teatro Carlos Alberto

Alma Nómada
19 outubro, 21h | 20 outubro, 19h, TeCA

Quando criança, a artista multidisciplinar Magali Chouinard ficou marcada pelo clássico de Júlio Verne, “Viagem ao Centro da Terra”. Na sua última criação, “Alma Nómada”, quis recrear “essa vertigem de ir de etapa em etapa, cada vez mais fundo, até chegar à criança que somos e fomos, esse coração que bate”. Inspirada pelas paisagens naturais de floresta e de água e pela espiritualidade dos indígenas do seu Quebeque natal, Chouinard ergue um pessoalíssimo teatro visual que combina máscaras, marionetas, projeções vídeo em ecrãs translúcidos e curtas animações. Sem o uso de qualquer palavra, Alma Nómada é uma fábula tão abstrata quanto sensorial, com um lobo-guia e um corvo-consciência a guiarem a aventura de uma mulher rumo à sua interioridade múltipla. A linguagem híbrida de Magali Chouinard, ao permitir uma variação de escalas e de materiais, lança “Alma Nómada” no domínio da poesia, potenciada pela trama sonora e pelo onírico preto e branco deste teatro de sombras. “O que construí é da ordem da mitologia interior. É algo de muito rico e é preciso abrir a porta. É uma viagem que se faz… que é preciso ousar fazer.” Ousemos então.
encenação, curta-metragem, cenografia e interpretação Magali Chouinard | banda sonora original Julien Robert | assistência de encenação Richard Morin | colaboração na escrita cénica e consultoria de manipulação Myriame Larose | colaboração na dramaturgia e consultoria de manipulação Karine St-Arnaud | colaboração na edição de vídeo Olivier Bochenek | coprodução Magali Chouinard, Festival International des Arts de la Marionnette à Saguenay (Canadá), Festival Mondial des Théâtres de Marionnettes de Charleville-Mézières (França) | dur. aprox. 55’ M/12 anos

Niet Hebben [Carta Rejeitada]
30 outubro a 2 novembro, quarta e sábado 19h | quinta 15h | sexta 21h, TeCA

Em cena, uma atriz algema-se porque se sente uma criminosa. Vasculhou indevidamente correspondência alheia, tem remorsos, mas apresenta-se ao público e quer falar-lhe sobre o que leu, como se escrevesse uma carta enquanto fala. Em “Niet Hebben” [Carta Rejeitada], a criadora e intérprete Crista Alfaiate resgata o riquíssimo género epistolar como material dramático, tomando como inspiração uma carta nunca lida, escrita por uma cantora de ópera há 300 anos, encontrada entre muitas outras num velho baú na Holanda. Partindo de textos conhecidos como “Carta do Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha, “Carta ao Pai”, de Kafka, “Carta a Bosie”, de Oscar Wilde, “Cartas Portuguesas”, de Mariana Alcoforado, e “Novas Cartas Portuguesas”, de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, “Niet Hebben” [Carta Rejeitada] pretende repensar temas como o feminismo, a guerra, o pós-colonialismo, a arte, a censura ou o amor num tempo em que é a imediatez das redes sociais a dar cartas. Espetáculo-carta assumidamente fora do baralho, que tanto pode ser um discurso ou um e-mail, é uma correspondência a ser trocada entre toda a família e para maiores de 12 anos, sem medo do passado e de olhos postos no futuro.
criação e interpretação Crista Alfaiate | texto Crista Alfaiate e Diogo Bento | apoio à criação Cláudia Gaiolas e Diogo Bento | desenho de luz Rui Monteiro | banda sonora Sérgio Martins e Rui Lima | conteúdos gráficos e visuais Catarina Lee | conceção do figurino Aldina Jesus | produção executiva Joana Costa Santos, Luna Rebelo | coprodução LU.CA – Teatro Luís de Camões, TNSJ |apoio Fundação GDA, Largo Residências | dur. aprox. 50’ M/12 anos

Os Nossos Dias Poucos e Desalmados
21 a 30 novembro, quarta e sábado 19h | quinta e sexta 21h| domingo 16h, TeCA

“Se eu falo nisso, as coisas entre nós mudam para sempre.” Entramos na idiossincrática “O’Rowelândia” pela sua penúltima peça, “Os Nossos Dias Poucos e Desalmados” (2014), numa encenação de João Cardoso. No percurso de Mark O’Rowe, este texto rompe um hiato de sete anos desde “Terminus” (2007), período em que o dramaturgo se dedicou a adaptações de Shakespeare e Ibsen e à escrita de argumentos para televisão e cinema. O monólogo como máquina de narração e rememoração, tão caro a O’Rowe nas peças anteriores, dá aqui lugar a uma simétrica e concatenada sucessão cronológica de seis cenas, igualmente distribuídas por dois atos, com um prólogo e um interlúdio. A potência da contracena e a cadência dos diálogos que as animam, curtos e naturalistas, sobrepostos ou truncados, é um dispositivo de desnudamento de um passado que consome as personagens. Em vez da torrente de palavras de outrora, a linguagem é agora quase ascética. É que há um segredo funesto a assombrar a família-protagonista de “Os Nossos Dias Poucos e Desalmados”, cujos contornos se desenham por detalhes, pausas, silêncios, como num puzzle. Com um lastro cinematográfico na forma como suspende cada cena, trabalha as elipses e os fundidos a negro, este drama familiar sobre a culpa, o sacrifício e o amor tem a claustrofobia de um thriller psicológico percorrido por uma tristeza palpável. “Porque é que não me amas?”
de Mark O’Rowe | tradução Francisco Luís Parreira | encenação João Cardoso | cenografia e figurinos Sissa Afonso | desenho de luz Nuno Meira, Filipe Pinheiro | desenho de som Francisco Leal | vídeo Fernando Costa | interpretação Ângela Marques, Catarina Gomes, Paulo Freixinho, Pedro Frias, Pedro Galiza | produção TNSJ | M/14 anos

O Convidador de Pirilampos
11 a 13 dezembro, 10h + 15h, TeCA

Como é que as imagens de um livro podem ganhar vida num palco? “O Convidador de Pirilampos” começou por existir nas palavras do escritor angolano Ondjaki e nos desenhos do ilustrador, cartoonista e performer visual António Jorge Gonçalves. Juntos, já nos haviam oferecido o livro “Uma Escuridão Bonita”, título que encontra um eco em “O Convidador de Pirilampos”, história, também ela, “sem luz elétrica”, vizinha dos mistérios da natureza e do humano, da luz e da noite, do medo e do espanto. Agora, e num palco perto de nós, vamos ver e ouvir um menino que gostava de passear na Floresta Grande, “mesmo quando já fazia quase-escuro”. É um menino muito curioso, que gosta de cientistar coisas, verbo que designa o que os cientistas e os inventores e as crianças fazem: cientistam as coisas, os animais, o mundo. Este menino inventou, por exemplo, um “aumentador de caminhos” e um “convidador de pirilampos”. E, de caminho, vai aprender a ser amigo do escuro. Com encenação de António Jorge Gonçalves, que também desenha ao vivo, este espetáculo é narrado pela atriz Cláudia Semedo, acompanhada pelo clarinetista José Conde e pelas imagens em retroprojetor de Paula Delecave. Um sonho sonhado em palavras, imagens e sons, num palco coberto por uma escuridão assustadora e bonita.
texto Ondjaki | encenação António Jorge Gonçalves | realização plástica António Jorge Gonçalves, Paula Delecave | interpretação Cláudia Semedo (narradora), José Conde (clarinete baixo e música original) | coprodução Centro Cultural Vila Flor, São Luiz Teatro Municipal, Culturproject, TNSJ | dur. aprox. 40’ M/6 anos

VÃO
20 a 22 dezembro, sexta 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA

A companhia Erva Daninha apresenta em “VÃO”, um projeto da Rede 5 Sentidos, um peculiar espetáculo de circo contemporâneo, dando continuidade ao seu trabalho de pesquisa de novas formas de fazer e dar a ver esta arte. Em cena, duas personagens partilham o palco como se este fosse uma estrada de sentido único, congestionada de informação, ilusão e influências. Ao longo do espetáculo, esse espaço unívoco vai sendo transformado num espaço-laboratório. Nele, as personagens tentam superar o vão entre o real e o imaginário. Os seus tumultos interiores e a imprevisibilidade dos acontecimentos colocam-nas ora em cooperação ora em conflito. No ambiente tenso e inesperado de “VÃO”, o risco e a ilusão conduzem o espectador pelo virtuosismo da acrobacia e da manipulação de objetos, elevando-os a um meio de comunicação de emoções e ideias. Encontro de dois criadores de gerações, técnicas e experiências distintas – Vasco Gomes, malabarista e diretor artístico da Erva Daninha, e Leonardo Ferreira, acrobata recém-formado pelo Centre National des Arts du Cirque –, “VÃO” é uma investigação sobre os percursos a que almejamos e aqueles a que a vida nos conduz, e sobre as transformações do corpo nas adversidades desses caminhos.
direção artística Vasco Gomes | assistência de direção e conceção plástica Julieta Guimarães | composição sonora Baltazar Molina luz Romeu Correia Guimarães | produção executiva Adelaide Osório | apoio à construção Jorge Soares | cocriação e interpretação Leonardo Ferreira, Vasco Gomes | coprodução Companhia Erva Daninha, Rede 5 Sentidos: Centro de Arte de Ovar, Centro Cultural Vila Flor, Espaço do Tempo, Teatro Académico de Gil Vicente, Teatro Micaelense, Teatro Municipal da Guarda, Teatro Municipal do Porto, Teatro Nacional São João, Teatro Viriato, Teatro Virgínia | dur. aprox. 1:00 M/12 anos

Um Plano do Labirinto
9 a 19 janeiro 2020, quarta e sábado 19h | quinta e sexta 21h| domingo 16h, TeCA
Sabemos da irreverência das encenações de João Garcia Miguel. Refira-se, por exemplo, o desassombro das suas operações sobre Shakespeare em “Burgher King Lear” (2007) ou Calderón de la Barca em “La Vida Es Sonho” (2015). Regressa com “Um Plano do Labirinto”, adaptando um texto da lavra de Francisco Luís Parreira (na que é já a quarta criação conjunta de “uma estreita e durável relação”), para quem a reverberação das situações históricas ou dos textos antigos que elege é um revelador do que somos hoje – é sua a espantosa tradução do poema babilónico “Épico de Gilgameš”, um dos textos mais antigos do mundo. Depois de “Lilith”, associado à crise na Grécia/Europa, de “Três Parábolas de Possessão”, impregnado de referências bíblicas e do conflito israelo-árabe, e de uma versão livre de “Medeia, Um Plano do Labirinto” é um polifónico conto mitológico sobre a diáspora portuguesa no século XX, no Oriente e em África, interrogando-se/nos sobre a verdade e a mentira de muitas histórias recolhidas da “nossa” guerra no “Ultramar”. Uma delas, exemplar na sua “indiferença à verdade”, conta um imaterial confronto entre soldados de uma patrulha e uma manada de antílopes na savana inexplorada. “Por que razão mentem estas histórias tão ostensivamente?”
de Francisco Luís Parreira | direção e espaço cénico João Garcia Miguel | coreografia Lara Guidetti | música Rui Gato figurinos Rute Osório de Castro | direção técnica Roger Madureira | direção de produção Georgina Pires | assistência de encenação Rita Costa | interpretação Miguel Borges, Sara Ribeiro, Paulo Mota, Rui M. Silva, Duarte Melo | marionetista André André | coprodução Companhia João Garcia Miguel, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Ibérico, Sanpapié, TNSJ | apoios Teatro Aveirense, Teatro-Cine de Torres Vedras, Junta de Freguesia do Beato, Instituto do Emprego e Formação Profissional | dur. aprox. 1:20 M/16 anos

Margem
30 janeiro a 2 fevereiro 2020, quinta e sexta 10h30 + 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA

Brecht falava de margens e dizia-as tão “violentas” como a violência do “rio que tudo arrasta”, porque o comprimem. “Margem”, com direção de Victor Hugo Pontes, fala de uma violência similar, a de jovens em risco na periferia da vida, como a dos “Capitães da Areia” (1937), de Jorge Amado, livro que lhe serviu de inspiração e “guia para o caminho”, desconstruído e reconstruído aqui pela escrita de Joana Craveiro. Ao diálogo entre a linguagem coreográfica de Victor Hugo Pontes e o livro sobrepôs-se uma segunda camada, a das histórias de vida, recolhidas em pesquisa prévia, de crianças institucionalizadas da Casa Pia e do Instituto Profissional do Terço, e ainda uma terceira, feita das memórias e experiências dos próprios intérpretes e do seu processo de construção do espetáculo – todas estas camadas se entrecruzam no texto original desta criação. Um elenco de miúdos dos 14 aos 20 anos (mais um bailarino e um ator profissional) habita o palco-casa-abrigo, colchões espalhados pelo chão, o oásis (sonhado?) de uma palmeira, como um espaço vital de (sobre)vivência de si em grupo, em família, até. “Margem”, a meio caminho entre a dança e o teatro documental, movido por uma banda sonora urgente e tribal, é assumidamente um trabalho “muito político”. Racismo, sexo, revolução e morte afloram igualmente, mas há uma energia vibrante a percorrer “Margem”, e essa energia persiste e resiste.
direção Victor Hugo Pontes | texto Joana Craveiro | cenografia F. Ribeiro música Marco Castro e Igor Domingues (Throes + The Shine) | desenho de luz Wilma Moutinho | consultoria artística Madalena Alfaia | direção de produção Joana Ventura | interpretação Alexandre Tavares, André Cabral, David S. Costa, Hugo Fidalgo, João Nunes Monteiro, José Santos, Magnum Soares, Marco Olival, Marco Tavares, Nara Gonçalves, Rui Pedro Silva, Vicente Campos | coprodução Nome Próprio, CCB – Fábrica das Artes, Teatro Aveirense | apoio à residência Centro Cultural Vila Flor | dur. aprox. 1:20 M/12 anos

Teatro Carlos Alberto (TeCA)
Rua das Oliveiras, 43
4050-449 Porto
www.tnsj.pt
Informações Linha Verde TNSJ – 800 10 8675
Número grátis a partir de qualquer rede

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