Recheio

Damas da Noite, Teatro Carlos Alberto

Damas da Noite, Teatro Carlos Alberto

Damas da Noite
9 a 12 maio, quinta e sexta 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA
Elmano Sancho evoca a conflituosa reviravolta de expectativas em torno do seu nascimento para levantar o véu de “Damas da Noite”, o seu espetáculo em estreia: os pais esperavam uma menina, de nome já destinado, Cleópatra, mas nasceu um menino. O encenador pretende assim dar vida a esse outro desejado de si mesmo, como se este fosse uma espécie de duplo e existisse numa realidade paralela que “Damas da Noite” encena. Para erguer essa figura ficcionada chamada Cleópatra, Elmano Sancho imergiu no mundo fascinante e provocador do transformismo. Os artistas transformistas “vestem a pele de um outro, tentam ser um outro”. São “flores que abrem de noite”, intérpretes de uma transformação “pautada pela transgressão, o desconforto, a ambiguidade, a brutalidade dos corpos e a violência das emoções”. Através dessa interpretação paradoxal da diferença, “Damas da Noite” explora a presença ou ausência de fronteiras entre realidade e ficção, ator e personagem, homem e mulher, teatro e performance, tragédia e comédia, original e cópia, interior e exterior, dia e noite. Nesse jogo de relações, aposta-se a identidade como matéria fluida, “rimbaudiana”, revelando o outro que somos, o estrangeiro que albergamos.

de Elmano Sancho | espaço cénico Samantha Silva | desenho de luz Alexandre Coelho | assistência de encenação Paulo Lage | produção executiva Nuno Pratas | interpretação Elmano Sancho, Dennis Correia aka Lexa BlacK, Pedro Simões aka Filha da Mãe | coprodução Culturproject, Lobo Solitário, TNDM II, Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, TNSJ | Língua Gestual Portuguesa: 12 maio, 16h

Preto [FITEI]
16 e 17 maio, 21h, TeCA
A companhia brasileira de teatro, pela mão do encenador Marcio Abreu, tem vindo a criar espetáculos instigantes, desafiando o público a abandonar uma postura de passividade. Em “Preto”, que olha para a vivência do racismo no Brasil para lhe revelar a sua dimensão universal, esse desafio é interno à própria dramaturgia. Logo pelo seu título, a peça reclama-se como lugar de fala da “pretura”, ao interrogar o poder do olhar branco (e masculino) e o branco estatuto do teatro. A partir de uma espécie de conferência/ato performativo de uma mulher/atriz/persona negra, ergue-se um mosaico de cenas que desvelam as estratégias, os posicionamentos ideológicos e os estereótipos do racismo. Esses jogos cénicos fazem “Preto” transitar entre as linguagens da performance, do musical, da dança, do cine-documentário, das artes visuais e da antropologia, potenciando o diálogo direto com o público. O desafio de “Preto” é o de investigar os mecanismos da recusa da diferença e o de propor uma revolucionária possibilidade de mudança: o tornar-se preto desde dentro, o enegrecer, o interpretar. “E o que fazer para que o enegrecimento seja cada vez maior, cada vez mais potente no lugar onde estamos?” A pergunta fica no ar, mas o microfone donde foi lançada fica virado para nós, espectadores.

direção Marcio Abreu | dramaturgia Marcio Abreu, Grace Passô, Nadja Naira | iluminação e assistência de direção Nadja Naira | banda sonora e efeitos sonoros Felipe Storino | cenografia Marcelo Alvarenga | direção de produção José Maria NIA Teatro | direção de movimento Marcia Rubin | figurinos Ticiana Passos | vídeos Batman Zavaresse, Bruna Lessa | orientação de texto e consultoria vocal Babaya | consultoria vocal e musical Ernani Maletta | colaboração artística Aline Villa Real, Leda Maria Martins | interpretação Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah, Rodrigo Bolzan/Rafael Bacelar | músico Felipe Storino | produção e realização companhia brasileira de teatro (Brasil/Brazil)

Coisas que não há que há
31 maio, 21h | 1 junho, 11h + 16h, TeCA
Uma das muitas qualidades da poesia de Manuel António Pina, e da infanto-juvenil muito em particular, é a sua musicalidade. “Coisas que não há que há” nasceu precisamente do desejo do Coro Lira dar voz a essa virtude, convidando dez compositores contemporâneos a musicarem outros tantos poemas de Pina para um coro de vozes infantis e juvenis. O Teatro do Frio juntou-se-lhe depois no desenho e na construção da dramaturgia de um espetáculo, com direção artística de Catarina Lacerda e Raquel Couto, que, à boleia da essência lúdica, interrogativa e onírica da poesia em questão, brinca com os géneros, escalas e imaginários, ficando algures entre o concerto e o teatro físico. Intercetando partituras musicais, textuais e físicas (a serem publicadas em formato escrito e áudio), “Coisas que não há que há” traz a singular respiração do universo linguístico do poeta para a memória e vivência imaginada dos corpos. Ao deixarmos a língua respirar, como escreveu Pina, libertamos-lhe a sua “irreprimível ‘vontade de poesia’”. É nesse espaço de liberdade e imaginação que “Coisas que não há que há” habita, entre as “esquinas, pracetas e recantos da linguagem”, onde adultos e crianças, gigões e anantes, dão asas plenas ao seu “pássaro da cabeça”.

direção artística Catarina Lacerda, Raquel Couto | composição Alfredo Teixeira, Eurico Carrapatoso, Fernando Lapa, Pedro Santos, Nuno da Rocha, Tomás Marques, Ângela da Ponte, Sara Ross, Fábio Videira, Sérgio Azevedo | piano Gonçalo Vasquez | figurinos Marta Bernardes | desenho de luz João Abreu | gravação de som Quico Serrano | design Susana Guiomar | produção executiva Adriana Leite | interpretação Coro Lira Infantil e Juvenil | coprodução Teatro do Frio, Coro Lira, TNSJ | Língua Gestual Portuguesa: 1 junho, 11h

Teatro Carlos Alberto (TeCA)
Rua das Oliveiras, 43
4050-449 Porto
www.tnsj.pt
Informações Linha Verde TNSJ – 800 10 8675
Número grátis a partir de qualquer rede

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