Pingo Doce

Os filhos do colonialismo, Teatro Campo Alegre

Os filhos do colonialismo, Teatro Campo Alegre
© Vera Marmelo

Os filhos do colonialismo
21 fevereiro, 21h | 22 fevereiro, 19h, Teatro Municipal Campo Alegre

Teatro
Marianne Hirsch define no seu livro “Postmemory Generation” o conceito de pós-memória como a “relação que a geração seguinte tem com o pessoal, colectivo e trauma cultural daqueles que vieram antes – experiências que são lembradas apenas através de histórias, imagens e comportamento daqueles com quem cresceram” (2012:5). O espetáculo “Os filhos do colonialismo”, da companhia Hotel Europa, investiga que relação é que as gerações que nasceram depois do 25 de Abril de 1974 têm com o colonialismo português e que memórias é que lhes foram transmitidas desse mesmo passado. Este é um espetáculo de teatro documental que trabalha de uma extensa e contrastante recolha de testemunhos colocando em palco os próprios entrevistados a discutir as suas biografias e as dos seus pais, refletindo como é que o passado colonial se reflete em Portugal e na Europa de hoje, assim como nos movimentos que exigem a descolonização da história e do pensamento dos antigos países imperiais.
Criação André Amálio | cocriação e movimento Tereza Havlíčková | elenco Celise Manuel, Cláudia Cláudio, Joana Mealha dos Santos, Paulo Estrela Janganga, Patrícia Cuan, Soraia Ismael e Susana Alves | cenografia e figurinos Maria João Castelo

© DR

Onironauta
6 março, 21h | 7 março, 19h, Teatro Municipal Campo Alegre

Dança
Eles são sete, como os dias da criação. Sete bailarinos ou encarnações físicas de um onirismo sob controlo. Sete corpos saídos dos limbos amargos de um sono desperto, dirigido e condicionado. O de seu demiurgo, igualmente em cena, Tânia Carvalho, ao piano. A luz é chamada “dia” e as trevas “noite”. “Onironauta” é o nome desta peça. Um nome emprestado a esses viajantes capazes de controlar os seus sonhos, de moldar, para eles sozinhos, um mundo de imagens e de sentidos. Tânia Carvalho é uma de entre eles. Criadora que nos convida, espectadores da sua viagem lúcida. Clarividente. Espectadores desses pedaços de sonho por vezes sombrios como o são os de uma coreógrafa que procura há muito forçar a saída dos seus pesadelos. Para torcer o pescoço às trevas. Para estrangular o real e as partidas que o seu espírito lhe prega. Tânia Carvalho cria pinturas comoventes, arrepiantes, que batem como alguns sonhos perturbadores dos quais se sai confuso e a tremer. Sempre inspirada. Acordada. – Quentin Dusser, traduzido por Maria de Lurdes Guerra
Coreografia e direção Tânia Carvalho | músicos André Santos, Tânia Carvalho | bailarinos Bruno Senune, Catarina Carvalho, Cláudio Vieira, Filipe Baracho, Luís Guerra, Marta Cerqueira, Vânia Doutel Vaz | música Frédéric Chopin, Tânia Carvalho

Ruble King
13 março, 21h, Teatro Municipal Campo Alegre

Dança
Palcos Instáveis / Em coprodução com Companhia Instável
Nascido no Porto, Duarte Valadares tem 27 anos e formou-se na Escola Superior de Dança em 2014, reside entre Portugal e Bélgica, pesquisando paralelamente o movimento contemporâneo e urbano. Trabalhou com coreógrafos como AméliaBentes em “Eternuridade”, Gregory Maqomaem “Free”, Emmanuele Hyuhnem “Cribles”, Marco da Silva Fereira em “Land(e)scape”, “Hu(r)mano”, “Brother” e “Bisonte”, Drosha Gherkov em “Neds”, Jonas & Landerem” Adorabilis” e Thiery Smits/Compagnie Thor em “Anima Ardens” e “WaW”. Duarte coreografou “Dry Mouth” em 2015, “State of Doubt” em 2016, “We can buy a Basquiat but we can’t hold hands” com Jonas Verwerftem 2017 e “Ruble King” em 2018.
Coreógrafo Duarte Valadares | intérprete André Cabral | artista visual Oscar Cassamajor | compositor Oli Lautiola | figurinista Pawel Androsiuks | apoio a residências Cie Thor, Jazy Dance Studios – Santos, Estúdio CAB – Centro Coreográfico de Lisboa

© Benoit Schupp

L’écho des creux [Eco oco]
14 março, 16h, Teatro Municipal Campo Alegre

Teatro
“Neste espetáculo, gostaria de abordar a forma como o corpo é representado. Que imagem se tem do próprio corpo, especialmente quando este está em transformação? Interessa-me abordar a questão filosófica da metamorfose: a identidade. A metamorfose não diz respeito a algo visível e exterior, mas a uma parte do nosso ser inconsciente, o imaginário. Vamos inventar um corpo inacabado e uma linguagem intermédia – no limiar do ser humano, planta, mineral ou animal.” Renaud Herbin
Duas jovens sonham em mudar de pele. À sua volta têm uma bancada de trabalho, blocos de terra e algumas ferramentas que permitem iniciar a experiência: metamorfosear-se. Gradualmente, entramos na sua fantasia e na fábrica de pinturas vivas, enriquecida pelo mundo da artista visual Gretel Weyer. Tudo se torna material e pretexto para tocar: o desejo de mudar, o medo do desconhecido, o espanto do que aparece, tantas emoções e estados a provar na cumplicidade deste dueto. Ao mesmo tempo, uma linguagem quebrada, imperfeita e frágil é inventada. Neste jogo de representação dos corpos modificados, as dobras, os lugares ocultos ou invisíveis, todas as cavidades do corpo permitem imaginar envelopes imaginários e fragmentados com contornos improváveis. A metamorfose transforma-nos noutra pessoa ou torna-se o que devemos ser?
Conceção Renaud Herbin | em colaboração com Anne Ayçoberry | interpretação Marta Pereira, Jeanne Marquis

© Avelino Sé

Quintas de Leitura
A greve dos controladores de voo

19 março, 22h, Teatro Municipal Campo Alegre

Literatura
Três anos depois, regressa a este ciclo uma voz importante da poesia portuguesa – Jorge Sousa Braga. No início da sessão, conversará com Carlos Mendes de Sousa. O poeta explica o universo deste serão: “Os poetas escrevem ou voam sem controlo algum. Em voo picado, planando, batendo as asas que não têm. Por vezes, não aguentam o peso do quotidiano e estatelam-se no chão. Os poetas são os primeiros a apoiar a greve dos controladores de voo. Ou a inexistência deles. Poesia sem asas não é poesia.” Nas vozes de Cristiana Sabino, Paula Cortes e José Anjos, será percorrida a obra de Jorge Sousa Braga, com a revelação de alguns poemas inéditos à mistura. Entre leituras, será apresentado o projeto O Xú, música espontânea de Rui Oliveira e Bitocas Fernandes. Música corporal com predominância da voz. Harmonias, ritmos e melodias em busca de um sentido que una público e músicos num só corpo. Avelino Sá, que recentemente apresentou no Espaço 531 da Galeria Fernandes Santos a sua exposição Quase Nada, assina a imagem da sessão. A busca silenciosa e incendiária da palavra dentro da pintura e do desenho. A fechar a sessão, a presença de Tatanka. Dono de um carisma e de uma voz inconfundíveis, o músico tornou-se conhecido como o vocalista de uma das mais bem-sucedidas bandas portuguesas da atualidade – The Black Mamba. Desta vez, Tatanka apresenta-se a solo (voz e guitarra), com temas de Pouco Barulho, álbum editado em 2019.

© DR

Noite de Primavera
27 março, 21h | 28 março, 19h, Teatro Municipal Campo Alegre

Teatro
“Noite de Primavera”, a segunda noite da Tetralogia das Estações do dramaturgo e encenador Luís Mestre, mergulha-nos nos espectros de memórias, ambições e visões da juventude que assombram quatro vidas numa noite intensa deflagrada pela insónia. Quando se fala da Primavera, é inescapável a evocação do seu despertar, relembrando o texto intemporal de Frank Wedekind. Mas, nesta noite, não podíamos estar mais longe desse alvorecer. Nesse longo momento em que o tempo parece congelar, as personagens são assaltadas por emoções e palavras e é nessa assombração que, uma a uma, iremos conhecer as suas vidas, contrastando-as com os seus sonhos de juventude, cerca de vinte anos depois. A subtileza de elementos, o ritmo do texto, a precisão nas palavras, a composição visual do lugar, o fluxo desregulado subjacente como frequência em surdina concorrerão para a multiplicidade de camadas de sentido nesta peça, constituindo um texto profundo e íntimo. Luís Mestre
Texto e encenação Luís Mestre | interpretação Ana Moreira, Carlos Silva, Tânia Dinis, Zeca | desenho de luz / espaço cénico Joana Oliveira | produção executiva Patrícia Vale | coprodução Teatro Municipal do Porto, Teatro Nova Europa | apoio Casa das Artes de Famalicão, Centro de Arte de Ovar, Cine-Teatro de Estarreja, Companhia Instável

© Nelly Rodriguez

Eins Zwei Drei
3 abril, 21h | 4 abril, 19h, Teatro Municipal Campo Alegre

Circo Contemporâneo
“Nesta peça, trabalho com três personagens, arquétipos de palhaço, para ilustrar questões importantes como autoridade, submissão e liberdade. Pego em Whiteface, convencido e sabichão, em Auguste, de coração bondoso e ingénuo, e em Maladroit, cómico e constantemente a confundir situações, e coloco-os no mundo higienizado de um museu. Um lugar que uma sociedade cria para si mesma, repleto de regras e proibições, sistemas e valores que determinam o que é aceite e o que não é. Aqui, as coisas são muitas vezes ordenadas precisamente para lá da vontade dos próprios artistas. No meu entender, os visitantes de um museu podem ser tanto obras de arte quanto a própria arte. No meu trabalho, os corpos têm uma qualidade material e os objetos uma dimensão humana. Esta contradição proporciona muitas possibilidades cómicas e dramáticas. Sempre tive interesse em perceber onde pertence a figura do palhaço no teatro contemporâneo. Um palhaço não é um ator. Está totalmente presente, tanto por dentro como por fora, e serve de espelho para nós e para a nossa existência. Pode-se passar a vida a dizer que sim ou que não ou a investigar, colocando questões. Os palhaços fazem as duas coisas e fazer as duas coisas significa poder! Como sobreviverão estas três figuras arrancadas do mundo anárquico do circo neste ambiente rigorosamente ordenado de um museu? Desenvolve-se algo altamente cómico, absurdo e trágico. Quanto mais controlado o ambiente, mais cómico e monstruoso se torna tudo.” Martin Zimmermann
Conceção, direção, coreografia e figurinos Martin Zimmermann | criado com e interpretado por Tarek Halaby, Dimitri Jourde, Romeu Runa, Colin Vallon | música Colin Vallon | dramaturgia Sabine Geistlich | cenografia Martin Zimmermann, Simeon Meier

© Susana Carvalhinhos

Quintas de Leitura
É preciso dizer febre em vez de dizer inocência

9 abril, 22h, Teatro Municipal Campo Alegre

Literatura
A febre da palavra na voz de cinco desarmantes poetas: Catarina Nunes de Almeida, Catarina Costa, Francisca Camelo, João Rios e Renato Filipe Cardoso. O feitiço da escrita, aliado à arte de dizer. A ilustradora Susana Carvalhinhos assina a imagem da sessão. Uma estreia absoluta neste ciclo poético. Entre leituras, Amadeu Magalhães, músico multi-instrumentista, solta magia do seu cavaquinho. A fechar a sessão, Ruído Vário junta um trio improvável: Ana Deus (voz), Luca Argel (voz e guitarra) e Fernando Pessoa. Música impregnada nas palavras e no génio de Pessoa. A sessão conta ainda com a participação especial de Natasha Semmynova, drag performer e cantor, que recentemente celebrou 20 anos de carreira.

Teatro Municipal Campo Alegre
Rua das Estrelas s/n
4150-762 Porto

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