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Tiago Braga

Tiago Braga

O futuro da Metro do Porto, segundo o seu presidente

Depois de uma experiência de sucesso em cargos de administração, Tiago Braga tem hoje nas mãos o futuro daquele que é considerado o principal meio de transporte da Área Metropolitana do Porto, o metro. Numa conversa informal e intimista com a VIVA!, o atual presidente da Metro do Porto, em funções desde junho passado, revelou quais são os objetivos delineados para os próximos anos, falou sobre o aumento significativo de passageiros, fruto do desempenho da empresa e das várias apostas do Governo nesse sentido, e abordou, ainda, os novos traçados da rede e a razão para antecipar a contratação e entrega de 18 novas composições, que prevê estarem operacionais até ao final de 2021.

De sorriso fácil e com uma afabilidade e visão empresarial que parece não terem limites. Assim é o novo presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, anteriormente administrador não executivo da empresa. E talvez, por isso, como, aliás, Tiago Braga fez questão de referir, no momento da tomada de posse, este mandato fique sempre marcado por uma continuidade daquilo que foi o trabalho iniciado no anterior. Acrescentar conforto aos veículos, ampliar a rede e reforçar a capacidade de transporte são, no entender do responsável, as três linhas de atuação fulcrais, aliadas, naturalmente, à redução do custo dos passes mensais, para que seja possível inverter, ao máximo, a tendência da utilização do transporte individual e potenciar, cada vez mais, o coletivo, realidade que começou a ser sentida na empresa “há sensivelmente quatro anos”.

O plano da Metro do Porto para os próximos anos assenta, igualmente, em três eixos: um vocacionado para a questão do serviço público, outro para a eciência e o último, e “mais importante”, referente à experiência do cliente.

O primeiro está diretamente relacionado com a ampliação da rede e, consequentemente, com uma maior oferta de estações, como, por exemplo, através da construção da Linha Rosa, no Porto, do prolongamento da Linha Amarela, de Vila Nova de Gaia a Vila d’Este, e “das expansões que a seguir virão”. “Vamos começar a trabalhar, já no próximo ano, nos estudos de procura que depois servirão de suporte a uma tomada de decisão, que será feita de acordo com os autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP)”, adiantou.

Em relação aos outros dois eixos – eficiência e experiência do cliente – Tiago Braga afirma que, embora não tenham a dimensão que o da construção tem, são “absolutamente fundamentais”, porque, como explica, a eficiência significa conseguir fazer mais com os mesmos recursos e a empresa precisa, efetivamente, de fazer mais, em várias dimensões. “Temos que começar a pensar em novas formas de materializar algumas etapas das nossas atividades correntes”, salienta o responsável, dando como exemplo “a monitorização do estado de condição do carril”, que poderá ser feita a partir de sensores instalados no material circulante. Assim, “sempre que um veículo passar num determinado local, ele estará a medir qual é o comportamento dessa via, o que, ao final do dia, significa acrescentar e eficiência ao sistema”, completa.

“Uma percentagem muito significativa das emissões de CO2 deve-se aos transportes e só investindo no transporte público conseguimos uma alteração de paradigma e chegar à neutralidade carbónica que se pretende atingir em 2050. Portanto, o nosso objetivo é introduzir fatores de atratividade para que as pessoas se sintam quase impelidas a utilizar o transporte público”.

Outro exemplo é o projeto piloto que a Metro do Porto tem com a Hitachi, previsto arrancar já no início do próximo ano, para combater a fraude, situação que embora, até ao momento, não represente qualquer “ameaça para a empresa” é, também, uma das suas prioridades de atuação. Instalado na estação da Casa da Música, o sistema transforma uma imagem num código alfanumérico, que está, depois, associado a um sistema de bilhética e permite que as equipas de fiscalização saibam, em cada estação, o número de clientes que não efetuaram a validação da sua viagem.

Mas, além de detetar a fraude, o sistema permitirá “muitas outras coisas”, nomeadamente “conhecer os locais para onde as pessoas se dirigem e perceber onde há maior fluxo de clientes”. “A partir do momento que temos acesso às manchas de circulação das pessoas numa estação, conseguimos perceber quais são os locais mais apetecíveis do ponto de vista da publicidade, por exemplo, uma atividade que é suplementar para a empresa, mas que não deixa de ser importante e na qual queremos investir”, revela, realçando que, dessa forma, “estarão, novamente, a ser mais eficientes”.

“Este será o melhor ano de sempre do ponto de vista económico-financeiro da Metro do Porto. Temos uma taxa de cobertura superior a 100% e os números da procura têm-se vindo a sedimentar como muito interessantes. Em termos médios, corresponde a um aumento de mais de 13%, o que significa mais de sete milhões de clientes que circularam nas linhas do Metro do Porto até ao último dia do mês de setembro. Em outubro, batemos o recorde de passageiros transportados num único mês”.

De acordo com o presidente da empresa, os dois eixos destacados só são importantes “se estiveram ao serviço do cliente”. “Esse é o denominador comum de todas as ações e, por isso, no final de cada uma tem que haver sempre uma melhoria efetiva para o mesmo”, sustenta, adiantando que todos os passos que estão a ser dados são no sentido de “melhorar a experiência do cliente” enquanto utilizador da Metro do Porto. Assim, uma das medidas a implementar no próximo ano, o mais tardar no primeiro semestre de 2021, revela, é o serviço de Free WiFi. Em relação à sobrelotação das composições, dificuldade que Tiago Braga assume existir pontualmente, estão também em execução algumas medidas. “Da observação direta que fazemos, verificamos que, muitas vezes, não se trata de uma sobrelotação efetiva, mas sim de uma má distribuição dos passageiros nos veículos, muito condicionada pelo atual layout dos mesmos”, frisa, salientando que “isso será trabalhado a curto prazo” e que, entre o Natal e a passagem de ano, período de menos procura por parte dos utilizadores, será feito o processo de transformação de dois veículos Eurotram para um novo layout, que pretende, essencialmente, acrescentar conforto aos passageiros. “Em função dos resultados obtidos, nomeadamente, junto dos clientes, se decorrer de acordo com as nossas expectativas vamos passar para a restante frota”, completa. De referir que a atual frota da Metro do Porto é composta por um total de 102 veículos, dos quais 72 são Eurotram e 30 Tram-train.

Expansão da rede
A criação da Linha Rosa e a ampliação da Linha Amarela até Vila d’Este são, até à data de fecho da edição da VIVA!, as únicas expansões previstas na rede do Metro, não escondendo o presidente que há “um conjunto de linhas que estão a ser estudadas” e cuja “decisão na qual caberá aos autarcas do seio da AMP”. Os novos traçados vão acrescentar um total de seis quilómetros e sete novas estações. No caso do Porto, a nova Linha Rosa (G) vai assegurar a ligação entre S. Bento, Cordoaria/Hospital de Sto. António, Galiza/Centro Materno-Infantil e Casa da Música/Rotunda da Boavista. Já no caso da Linha Amarela, servirá a zona do Monte da Virgem/RTP e o Hospital de Gaia, numa extensão de 3,2 quilómetros e incluindo três novas estações (Manuel Leão, Hospital Santos Silva e Vila d’Este). Tiago Braga aponta 2023 como o ano da operação comercial destas duas linhas, com a Linha Amarela a iniciar no primeiro trimestre do ano e a Linha Rosa no último, alertando para o facto de “entre a decisão de construção de uma linha até à sua operação comercial, decorrer um ciclo de gestão de sete anos”.

Antecipação da contratação e entrega de novos veículos
“Quando assumi o compromisso de antecipar a entrega de 18 novas composições para 2021 é porque acredito, face ao que está previsto no caderno de encargos, que temos condições técnicas efetivas para o fazer”, explica, adiantando que essa antecipação visa injetar, de imediato, os veículos na rede. “Estes não vão funcionar apenas no alargamento, ou seja, na Linha Rosa e na extensão da Amarela, mas sim em toda a rede”, esclarece. Por outro lado, a antecipação tem também a ver com uma medida que pretende fazer face à procura verificada e que será desenvolvida já no início do próximo ano: o aumento de 11 veículos/hora para 15 na Linha Amarela, sendo esta a frequência que está determinada para a expansão da linha. Também no próximo ano, a Metro do Porto vai abrir o projeto para fazer a mesma intervenção no término do Hospital de S. João. Entre o concurso público, a contratação da entidade executante e a obra em si, prevê-se que esteja concluída em meados de 2021, sendo, a partir dessa altura, que começarão, também, a trabalhar para injetar mais veículos.

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