Recheio

Tito Paris

Tito Paris

“Eu quero pôr a música de Cabo Verde no mundo”

Para quem não sabe, Tito Paris é nome artístico para Aristides Paris. “Mim ê Bô” é o seu último trabalho, que apresenta ao público portuense já este sábado, dia 12 de janeiro, na Casa da Música.

O cantor nasceu em Cabo Verde no seio de uma família ligada à música. Foi com os irmãos que aprendeu a dar os primeiros acordes e desde cedo que o seu futuro se adivinhava de mãos dadas com a música. Escreveu para vários artistas, como Cesária Évora, antes de se afirmar em nome próprio.

A pouco e pouco torna-se um dos maiores impulsionadores e embaixadores da música cabo-verdiana e dos ritmos quentes de África aqui em Portugal.

Foi em 1987 que lançou o seu primeiro disco, “Fidjo Maguado”, um trabalho mais acústico. Em 1994 grava o álbum “Dança Ma Mi Criola” e logo dois anos mais tarde, em 1996, sai cá para fora “Graça de Tchega”, o seu terceiro álbum de originais que faz Tito Paris viajar e conhecer o mundo. Corria o ano de 2002 quando lançou “Guilhermina”. A partir daqui, cada vez mais a sua música se torna um sinónimo de ligações culturais com o mundo lusófono. Caracterizado pela sua voz rouca e pelo calor dos seus temas, a música e o som de Tito Paris fazem com que seja conhecido um pouco por todos os cantos do mundo.

Desta vez, o artista brindou os seus fãs com o trabalho “Mim ê Bô”, que apresenta ao público portuense já este sábado, dia 12 de janeiro, na Casa da Música. O cantor descreve este álbum como uma ilustração da diversidade cultural que o tem acompanhado ao longo da sua vida, sem nunca esquecer as suas raízes cabo-verdianas.

tito_paris3A revista VIVA! esteve à conversa com o cantor que nos contou algumas novidades sobre este mais recente trabalho e sobre o seu percurso enquanto artista.

Tito Paris é uma ponte entre culturas que nos mostra que é mais aquilo que nos une do que o que nos separa.

“Mim é Bô” demorou muito tempo a concluir. Porquê?

Nos últimos 15 anos fiz várias parcerias com vários artistas, andei a promover a minha carreira por todo o mundo e a ganhar mais experiências. Fui gravando alguns temas ao longo do tempo, ao mesmo tempo que fui fazendo alguns concertos. O disco fala por si, é um disco que relata estes mesmos 15 anos.

Durante estes 15 anos não houve a tentação de gravar um disco?

Sim, eu entrei no estúdio algumas vezes para concluir o trabalho. Só que não conseguia parar 2/3 dias seguidos no estúdio. Então decidi parar, fazer os concertos e dedicar-me às parcerias com outros artistas e depois, mais tarde, decidi entrar no estúdio definitivamente com o propósito de terminar o novo disco.

Do que trata este disco?

Trata-se de um disco de experiência, com várias realidades, desde a do Brasil, Cuba, a de Portugal, etc. E, portanto, gosto de dizer que é um disco lusófono. Demorou algum tempo a ser feito, certo, mas apresenta uma nova sonoridade, diferente dos outros álbuns. Gravei, inclusive, no estúdio com uma orquestra.

Este registo é, de alguma forma uma homenagem ao passado?

É um disco onde fui buscar memórias de outros grandes artistas, nomeadamente o Bana. O tema “Resposta de Segredo cu Mar” conta com a colaboração do Bana, a última gravação do artista antes de falecer, em 2013. Quando gravamos esta música, o Bana estava muito doente. Fui ter com ele ao hospital e disse-lhe que tinha gravado aquele tema. E ao questioná-lo se queria gravar comigo a música, respondeu a dizer para reservar o estúdio antes de morrer.

Neste disco tem uma colaboração com Boss AC. Como é que se cruzaram?

Conheço o Boss AC desde que nasceu. Eu e o pai dele nascemos na mesma rua em Cabo Verde. A mãe também conheço desde criança. O Boss AC trata-me como família e, como vi que o disco estava também relacionado com o seu percurso, convidei-o para colaborar comigo num dos temas. Encontramo-nos no estúdio e rapidamente escreveu a parte dele.

tito_paris4O Tito Paris é muitas vezes descrito como o grande embaixador da música de Cabo Verde. O que sente quando é desta forma identificado?

Quando me dão este título, sinto uma enorme responsabilidade, é claro um título com muito peso. E é com esta mesma responsabilidade que temos de tratar a música.

Eu dou muitas palestras sobre a música de Cabo Verde em escolas e universidades, sempre com o objetivo de levar a cultural do meu país por aí além. Eu quero pôr a música de Cabo Verde no mundo.

Foi também devido a isso que foi ordenado Comendador pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O que sentiu?

Senti-me honrando, ainda com mais responsabilidade. Mas senti que era também um exemplo da minha forma de estar na vida. Ser ordenado Comendador deu-me uma maior responsabilidade e a responsabilidade pesa. Mas acima de tudo, fiquei honrando, pois não é qualquer pessoa que recebe um título deste tipo e desta natureza. Fiquei muito contente.

Considera que Portugal trata bem a Lusofonia?

Penso que está a melhorar, bastante! Tem lutado muito, mas também sei que é preciso fazer mais. Desde Portugal a Cabo Verde, a Angola, é preciso fazer muito mais em todos os aspetos, entre todos os lusófonos. É preciso resolver problemas que ainda não estão resolvidos.

Como tem sido a recetividade ao registo “Mim é Bô”?

Muito positivo, penso eu. É um dos discos mais bem vendidos. As pessoas vão ouvindo e vão comprando o disco e isso deixa-me contente.

Tito_Paris2Que balanço estabelece da sua carreira?

Positivo. Muito positivo! A minha carreira tem andando um pouco por todo o mundo, passou por palcos muito importantes e ficou marcada pelas parcerias com grandes artistas.

O que acha do público portuense?

O público portuense é muito bom! Já passei pelo Porto muitas vezes. Gosto imenso do público, como também gosto da cidade. Aliás já estive na cidade durante muitos anos.

O que podemos esperar do concerto na Casa da Música?

Podem esperar um concerto intimista, onde vai estar muita gente. Espero que as pessoas gostem, pois nós estamos preparados para fazer um bom concerto, com muito amor e carinho.

Viva! no Instagram. Siga-nos.