Pingo Doce

Versos de poetas dos séculos XIX e XX “tatuados” em 77 locais de Gaia

Versos de poetas dos séculos XIX e XX “tatuados” em 77 locais de Gaia

O projeto ‘Tatuar a Cidade’, promovido no âmbito do FIGaia – Fórum Internacional de Gaia – que tem início esta quarta-feira -, vai espalhar a poesia por vários locais da cidade e freguesias de Vila Nova de Gaia.

Vão ser 77 os locais da cidade e freguesias de Vila Nova de Gaia que vão ser “tatuados” com versos de poetas lusófonos do século XIX e XX para “levar as pessoas a refletirem”, revelou à agência Lusa Rui Spranger, o responsável pela iniciativa, citado pelo Sapo 24.

O projeto ‘Tatuar a Cidade’ visa “surpreender as pessoas e provocar nelas o mistério, encantamento e reflexão”.

“Por ser o ano nacional da cooperação, cujo tema é ‘Cooperação em Português’, escolhemos a palavra poética como expoente máximo da língua, e a nossa ideia é levar a poesia a todo o lado”, sublinhou o responsável.

Segundo Rui Spranger, os versos que vão ser tatuados são retirados de poetas lusófonos, sendo que a maioria desses poemas vai “ao encontro do lugar” onde vão estar pintados “para sempre”.

“Tentámos que os poemas que estão por detrás desses versos estivessem relacionados com os locais. Por exemplo, na zona costeira os versão têm uma ligação muito forte com o mar, no centro paroquial o verso está relacionado com o amor, porque é uma igreja muito frequentada por mulheres grávidas que vão pedir proteção e saúde para os seus bebés”, exemplificou.

O mote para esta iniciativa foi o livro “Língua de Sal — Antologia Mínima de Língua Portuguesa”, que reúne poemas de 70 ilustres figuras líricas, como Fernando Pessoa, António Nobre e Maria Alberta Meneres, e que será apresentado esta quarta-feira, pelas 19h, na Biblioteca Municipal de Gaia.

Segundo Rui Spranger, uma vez que o mar sempre “ligou” todos os países lusófonos, esta antologia tem como principais temáticas o mar, “os encontros e desencontros” e as rotas.

O livro, que é de “circulação gratuita”, vai ainda ser apresentado e lido a 150 turmas de Vila Nova de Gaia.

Sobre o FIGaia 2019

O Fórum Internacional de Gaia (FIGaia) 2019 começa esta quarta-feira e prolonga-se até dia 22 de setembro. Durante este período, serão debatidos temas como o desenvolvimento sustentável e a construção da paz, num total de 80 ações envolvendo o meio ambiente e a cultura.

Na sessão de abertura do FIGaia (11 de setembro, 10h, Biblioteca Municipal), Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, junta-se a Michael Sutton (presidente dos Goldman Awards), a Rui Marques, presidente do Instituto Padre António Vieira (IPAV), e a Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS). Na área do Pensamento, um dos momentos altos será a primeira conferência europeia do prémio Goldman, com a sessão «Goldman Prize — 30 anos a mudar o mundo» (12 de setembro, 10h, Biblioteca Municipal). Destaque ainda para a conferência «E depois do conflito – A missão dos construtores de paz» (14 de setembro, 10h, Biblioteca), com a participação de Ramos Horta.

Na área da música, destaque para a atuação de Tiganá Santana e Lura a interpretar sons tipicamente brasileiros e africanos (14 e 18 de setembro, respetivamente, 21h, Auditório Municipal de Gaia). O FIGaia vai transformar, ainda, a garagem do Auditório Municipal num ponto de encontro para os amantes da música e das artes performativas mais fora da caixa. A grande aposta é o Baile Brega, onde todas as noites irão desfilar artistas que representam o melhor da cena underground e contracultural de vários países de língua oficial portuguesa, numa seleção de música, performance, dança, teatro, stand-up comedy, literatura, DJing, drag shows e videoarte.

Numa edição dedicada à língua portuguesa nas suas várias expressões, o FIGaia aposta no espetáculo «Ode Marítima», de Pedro Lamares, numa leitura integral do poema de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, a 12 de setembro, pelas 21h30, no Auditório Municipal.

Viva! no Instagram. Siga-nos.